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PesquisaInternacional · pagamentos digitais

Pagamentos sem dinheiro disparam 21% nos mercados emergentes

BIS: per capita de pagamentos eletrônicos cresceu 21% nos emergentes em 2024, ante 6% nas avançadas, puxado por transferências e instantâneos.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

Os pagamentos eletrônicos per capita nos mercados emergentes cresceram 21% em 2024, chegando a 242 transações anuais, ante alta de apenas 6% nas economias avançadas, que registraram 579 por pessoa, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS). O salto foi puxado por transferências bancárias e pagamentos instantâneos, o mesmo modelo que o Brasil consolidou com o Pix, que movimentou R$ 35,3 trilhões em 2025.

Pagamentos eletrônicos 2024: emergentes vs. avançados

Indicador Mercados emergentes Economias avançadas
Transações per capita 242 579
Crescimento anual +21% +6%
Principal driver Transferências + instantâneos Cartões
Valor/PIB (variação) +3% Estável

Estatísticas de pagamentos eletrônicos 2024. Fonte: BIS

Por que transferências ganharam de cartões nos emergentes

A diferença entre os dois grupos vai além do ritmo de crescimento: o tipo de instrumento que lidera também diverge. Nas economias avançadas, a expansão veio principalmente dos cartões. Nas economias emergentes e em desenvolvimento, as transferências bancárias e os pagamentos instantâneos foram os responsáveis pelo avanço. Outros instrumentos como débito direto, cheques e dinheiro eletrônico perderam participação nos dois grupos.

O dado reflete uma característica estrutural dos mercados emergentes: sem a herança de uma base consolidada de cartões, muitos países foram direto ao pagamento instantâneo. O Brasil é o caso mais citado nessa trajetória. Bancos centrais de outras EMDEs passaram a usar o Pix como referência ao desenhar seus próprios sistemas, e a trajetória do país transforma o Brasil em laboratório global de pagamentos instantâneos.

O dinheiro físico recua, mas o papel não acabou

Os saques em espécie per capita caíram na maioria dos países em 2024. Em algumas jurisdições, o número de pontos de acesso a dinheiro físico, como caixas eletrônicos e agências bancárias, também diminuiu. Mesmo assim, o BIS faz a ressalva: o dinheiro ainda cumpre papel como meio de pagamento e reserva de valor, e o volume de notas em circulação globalmente permaneceu estável. O comportamento mudou de formato: consumidores sacam com menos frequência, mas em valores maiores por operação.

“O dinheiro ainda desempenha papel útil nas economias, seja como meio de pagamento, reserva de valor ou ambos”, afirma o BIS no relatório. No Brasil, essa pressão sobre a infraestrutura física já forçou uma remodelagem nos pontos de acesso ao dinheiro na era do Pix, com redes de ATMs sendo redesenhadas para atender um público que saca cada vez menos, mas em valores mais altos.

O que observar

A diferença de velocidade entre emergentes (21%) e economias avançadas (6%) sinaliza uma janela de convergência acelerada: países que adotaram infraestruturas de pagamento instantâneo estão comprimindo em poucos anos o que levou décadas em outros mercados. A questão para os próximos ciclos não é mais se a digitalização vai avançar, mas em que velocidade o volume vai desacelerar conforme a base de usuários se satura, e quais segmentos ainda têm espaço de expansão.

Vale acompanhar a assimetria nos instrumentos: se as economias emergentes continuarem a crescer via transferências e instantâneos em vez de cartões, provedores de esquemas tradicionais precisarão reposicionar suas propostas nesses mercados, especialmente no segmento de baixa renda. Os dados do BIS referentes a 2025 serão o próximo termômetro: eles dirão se o ritmo de 21% se sustenta ou se começa a acomodar.

Fontes: FinextraBIS: Tap a card, pay by phone, but cash still holds its own

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