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RegulaçãoInternacional · Big Techs

Reino Unido propõe multar Big Tech por anúncios de golpe

Ofcom, regulador do Reino Unido, propôs código que torna a Big Tech responsável por anúncios de golpe pagos, com multa de até 10% da receita global.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Marcin Nowak na Unsplash

O regulador de comunicações do Reino Unido, a Ofcom, apresentou em 10 de julho de 2026 uma proposta que, pela primeira vez, tornaria as gigantes de tecnologia (a Big Tech) legalmente responsáveis por caçar anúncios de golpe pagos em seus sites e aplicativos. O rascunho do código de publicidade fraudulenta prevê multa de até £18 milhões ou 10% da receita global anual da empresa, o que for maior, para quem descumprir as regras depois que elas entrarem em vigor.

Quase 40 medidas contra anúncios de golpe

A proposta lista cerca de 40 medidas práticas que as maiores redes sociais e serviços de busca teriam de adotar. Entre elas: banir anunciantes fraudadores e impedir que eles recadastrem novas contas, interceptar perfis que se passam por empresas legítimas e conter criminosos que exploram inteligência artificial. O código vale apenas para anúncios pagos, não para conteúdo publicado por usuários nem para resultados de busca não patrocinados.

O peso do problema justifica o tamanho da penalidade. Mais da metade dos adultos britânicos já se deparou com um anúncio potencialmente fraudulento, e mais de um terço os vê com frequência (51% e 36%, respectivamente, segundo a Ofcom). As vítimas no país perdem mais de £200 milhões por ano para esse tipo de golpe, num mercado que movimenta mais de £40 bilhões anuais em publicidade digital.

A proposta da Ofcom em números

Multa máxima por descumprimento £18 mi ou 10% da receita global
Medidas práticas propostas quase 40
Adultos que já viram anúncio fraudulento mais da metade
Perda anual das vítimas no Reino Unido mais de £200 mi
Publicidade digital no país por ano mais de £40 bi

Proposta do código de publicidade fraudulenta da Ofcom, julho de 2026. Fonte: Finextra

“Por tempo demais, as vítimas foram expostas a anúncios de golpe on-line, com as gigantes de tecnologia simplesmente não fazendo o suficiente para combater os fraudadores que usam suas plataformas”, afirmou Oliver Griffiths, diretor de segurança on-line da Ofcom (em tradução livre). Ele cobrou ação imediata: as plataformas não deveriam se arrastar e podem começar a melhorar já, e quem falhar em cumprir os deveres legais, uma vez em vigor, deve enfrentar consequências sérias.

Consulta pública até outubro, decisão só em 2027

As regras derivam do Online Safety Act, a lei de segurança digital britânica, e ainda passarão por consulta pública até 2 de outubro de 2026. Uma segunda etapa, prevista para o segundo semestre de 2026, deve tratar do uso de tecnologia para filtrar anúncios fraudulentos na origem, com decisões finais apenas em 2027. O movimento acompanha uma tendência regulatória mais ampla: no Brasil, o governo passou a responsabilizar plataformas por falha sistêmica no combate a crimes, enquanto o próprio Reino Unido já se aliou à Microsoft para detectar deepfakes usados em fraudes.

Nem todos veem a proposta como suficiente. Para Jonathan Frost, diretor de consultoria global da BioCatch, o caminho certo não é moderar mais rápido, e sim impedir o abuso antes que ele aconteça. Ele argumenta que as plataformas já enxergam padrões de segmentação e comportamento capazes de prever o risco de fraude, e que retirar anúncios depois do dano vira um jogo de gato e rato. Frost alerta ainda que definir padrões hoje, com base em ameaças passadas, corre o risco de nascer desatualizado.

O que observar

O ponto a acompanhar é se a responsabilização legal muda o incentivo econômico das plataformas de anúncios. Enquanto a receita de publicidade digital seguir atrelada ao volume, obrigar a remoção depois da veiculação tende a virar enxuga-gelo. O teste real é se os reguladores conseguem empurrar a barreira para antes da exibição, com filtragem na origem, sem que o custo de conformidade recaia sobre pequenos anunciantes legítimos. Vale observar também se outros mercados adotam o mesmo desenho de multa atrelada à receita global.

Fontes: FinextraOfcomRetail Gazette

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