O regulador de comunicações do Reino Unido, a Ofcom, apresentou em 10 de julho de 2026 uma proposta que, pela primeira vez, tornaria as gigantes de tecnologia (a Big Tech) legalmente responsáveis por caçar anúncios de golpe pagos em seus sites e aplicativos. O rascunho do código de publicidade fraudulenta prevê multa de até £18 milhões ou 10% da receita global anual da empresa, o que for maior, para quem descumprir as regras depois que elas entrarem em vigor.
Quase 40 medidas contra anúncios de golpe
A proposta lista cerca de 40 medidas práticas que as maiores redes sociais e serviços de busca teriam de adotar. Entre elas: banir anunciantes fraudadores e impedir que eles recadastrem novas contas, interceptar perfis que se passam por empresas legítimas e conter criminosos que exploram inteligência artificial. O código vale apenas para anúncios pagos, não para conteúdo publicado por usuários nem para resultados de busca não patrocinados.
O peso do problema justifica o tamanho da penalidade. Mais da metade dos adultos britânicos já se deparou com um anúncio potencialmente fraudulento, e mais de um terço os vê com frequência (51% e 36%, respectivamente, segundo a Ofcom). As vítimas no país perdem mais de £200 milhões por ano para esse tipo de golpe, num mercado que movimenta mais de £40 bilhões anuais em publicidade digital.
A proposta da Ofcom em números
| Multa máxima por descumprimento | £18 mi ou 10% da receita global |
| Medidas práticas propostas | quase 40 |
| Adultos que já viram anúncio fraudulento | mais da metade |
| Perda anual das vítimas no Reino Unido | mais de £200 mi |
| Publicidade digital no país por ano | mais de £40 bi |
Proposta do código de publicidade fraudulenta da Ofcom, julho de 2026. Fonte: Finextra
“Por tempo demais, as vítimas foram expostas a anúncios de golpe on-line, com as gigantes de tecnologia simplesmente não fazendo o suficiente para combater os fraudadores que usam suas plataformas”, afirmou Oliver Griffiths, diretor de segurança on-line da Ofcom (em tradução livre). Ele cobrou ação imediata: as plataformas não deveriam se arrastar e podem começar a melhorar já, e quem falhar em cumprir os deveres legais, uma vez em vigor, deve enfrentar consequências sérias.








