A Revolut recebeu da Superintendencia Financiera de Colombia a licença para operar como banco na Colômbia e, em movimento separado, protocolou um pedido de licença bancária na Suíça. A fintech britânica, que soma 80 milhões de clientes no mundo, avança em duas frentes regulatórias ao mesmo tempo, mas em estágios diferentes: na Colômbia a autorização já saiu; na Suíça, o pedido ainda depende de análise do regulador.
Revolut: duas frentes regulatórias, dois estágios
| Item |
Detalhe |
| Colômbia |
Licença de banco concedida pela Superintendencia Financiera de Colombia |
| Suíça |
Pedido de licença apresentado, ainda sem concessão |
| Clientes no mundo |
80 milhões |
| Clientes na Suíça |
Mais de 1,3 milhão, via Revolut Bank UAB (licenciado na Lituânia) |
| Investimento na Suíça |
CHF 150 milhões em cinco anos |
Movimentos regulatórios da Revolut. Fonte: Finextra
Colômbia: licença concedida, produtos a caminho
A autorização colombiana permite à Revolut atuar como banco regulado no país, e o lançamento de um conjunto “abrangente” de produtos deve vir “em breve”, segundo a empresa. É mais um marco da expansão internacional da fintech, que neste ano já garantiu licenças bancárias completas no Reino Unido, na França e na Austrália, além de aprovação condicional para um national bank charter nos Estados Unidos. A empresa também acumula uma longa lista de espera na África do Sul, sinal do apetite por novos mercados.
Suíça: pedido em análise, sem licença concedida
Na Suíça, a Revolut apenas apresentou o pedido, e a licença não foi concedida. Hoje, mais de 1,3 milhão de clientes suíços são atendidos pelo Revolut Bank UAB, braço licenciado na Lituânia. Uma licença suíça abriria caminho para uma linha completa de produtos bancários locais, com IBANs suíços, contas salário, eBill, credenciamento de lojistas e acesso ao esquema suíço de garantia de depósitos. Para sustentar essa investida, a fintech se compromete a aportar CHF 150 milhões no país nos próximos cinco anos, aplicados no desenvolvimento de novos produtos e na criação de empregos locais.
“Ao pedir uma licença bancária suíça, damos um passo importante para nos tornarmos parte mais enraizada de um dos mercados financeiros mais importantes e avançados do mundo” (em tradução livre), disse David Tirado, CCO da Revolut.
O que observar
A estratégia de colecionar licenças próprias em cada geografia troca a agilidade de operar sob autorização de um terceiro pela autonomia de um banco local, com custo de capital e de compliance mais altos. Vale acompanhar se o pedido suíço avança dentro do prazo do regulador e quanto tempo separa a concessão de uma licença do lançamento efetivo dos produtos, como no caso colombiano.
A pergunta que fica é sobre conversão. Ter mais de 1,3 milhão de clientes na Suíça atendidos por um braço lituano mostra demanda, mas o teste será migrar essa base para uma estrutura local e medir se contas salário e garantia de depósitos elevam a principalidade. Para fintechs em expansão, o próximo sinal a observar é se a régua regulatória de cada país acompanha o ritmo com que a empresa quer crescer.
Fontes: Finextra • Let’s Money • Let’s Money