A fintech saudita Stitch captou US$ 25 milhões em Série A liderada pela Andreessen Horowitz para substituir os sistemas bancários legados por uma plataforma modular preparada para IA, acumulando mais de US$ 5 bilhões em transações nos últimos seis meses.
Stitch: captações e crescimento
| Rodada |
Valor |
Mês |
| Seed |
US$ 10 mi |
Mai 2025 |
| Série A (a16z) |
US$ 25 mi |
Mai 2026 |
| Total captado |
US$ 35 mi |
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Captações da Stitch. Fonte: PYMNTS
Como a plataforma funciona
A Stitch foi fundada em 2022 com a tese de que o principal obstáculo à adoção de IA pelas instituições financeiras é a infraestrutura bancária fragmentada. “As instituições financeiras desejam adotar IA, mas não conseguem fazê-lo com base em infraestruturas legadas e fragmentadas. Criamos a Stitch para resolver esse problema”, disse Mohamed Oueida, fundador e CEO da empresa. A plataforma oferece pilha única nativa da nuvem que cobre empréstimos, cartões, pagamentos e contabilidade, mas permite adoção módulo a módulo, sem exigir substituição total da infraestrutura existente.
Em 2025, os clientes cresceram 10 vezes e a receita 20 vezes, segundo a Andreessen Horowitz. Entre os clientes estão Lulu Exchange e Raya Financing, que lançaram produtos até 80% mais rápido usando a plataforma. O portal já documentou como a IA generativa exige infraestrutura bancária moderna: sem APIs limpas e dados estruturados, nenhuma estratégia de agente financeiro funciona em produção.
Por que a Arábia Saudita agora
Para a Andreessen Horowitz, esta é a primeira aposta no Conselho de Cooperação do Golfo. Em postagem publicada na quarta-feira (13), Alex Rampell, sócio-gerente da firma, escreveu: “O que a Stitch está construindo, um sistema de registro moderno e unificado, é o que torna todo o resto possível.” A Arábia Saudita planeja adicionar centenas de novas instituições financeiras nos próximos cinco anos, criando demanda por software de core bancário em instituições que nunca operaram com legado. O setor de serviços financeiros no Oriente Médio cresce 10% ao ano.
A Stitch já opera no GCC, na África e no Sudeste Asiático, competindo com incumbentes globais como FIS e Fiserv em um território onde o peso do legado tecnológico é menor. A plataforma inclui marketplace de integrações com KYC e KYB, acelerando a conformidade regulatória nos mercados de entrada. A Mambu seguiu estratégia similar ao fornecer infraestrutura modular para fintechs na África, sinalizando que a abordagem tem tração em mercados emergentes.
O que observar
A proposta modular reduz o risco de adoção, mas o teste real será a capacidade de migrar clientes de early adopters para instituições com sistemas mais enraizados. Historicamente, projetos de modernização de core bancário em estágios mais avançados esbarram em resistência operacional e custos de integração que não aparecem nos pilotos. Vale acompanhar se os contratos assinados com os primeiros clientes resultam em migração completa ou ficam em implantações parciais de módulos periféricos.
O movimento sinaliza uma tese que vai além dessa rodada específica: infraestrutura financeira em mercados com reguladores favoráveis e centenas de novas licenças sendo emitidas é uma das janelas de oportunidade menos disputadas do setor. A pergunta relevante é se esse perfil de mercado sustenta os múltiplos de saída esperados por um fundo de tier 1, ou se os exits acontecerão via aquisição estratégica pelos próprios incumbentes globais que o novo entrante quer desafiar.
Fontes: PYMNTS • Andreessen Horowitz