Ir para o conteúdo

CréditoCrédito · América Latina

Uber investe em fintech chilena para financiar entregador

Uber investe na chilena Galgo, fintech de crédito para motocicletas, e mira crédito mais barato para entregadores na América Latina.

por

· 4 min

Atualizado em

daily_creativity / Shutterstock.com

A Uber está colocando dinheiro numa aposta pouco óbvia para uma empresa de aplicativo: o crédito para a compra de motocicletas. A companhia americana investe na Galgo, fintech chilena que financia motos, no que representa a mais recente frente do grupo no financiamento de veículos na América Latina. O plano é usar a operação para oferecer crédito mais barato aos próprios entregadores.

Segundo o cofundador e co-CEO da Galgo, Sebastián Parot, em entrevista à Bloomberg, o aporte é o maior investimento em participação acionária já recebido pela empresa. O valor não foi revelado. A ideia central é desenvolver, em conjunto, um produto de crédito exclusivo para quem faz entregas pela plataforma, público que depende da moto como ferramenta de trabalho.

Moto como ativo de trabalho, não consumo

A tese da Galgo é tratar o financiamento como investimento produtivo, e não como mais uma linha de crédito ao consumo: a moto rende renda. “As motocicletas fazem parte da cultura latino-americana porque oferecem uma solução prática para os 60% da população que não têm condições de comprar um carro”, disse Parot. “Uma motocicleta é, ao mesmo tempo, uma ferramenta de trabalho e um meio de transporte acessível, com prestações mensais que cabem no orçamento das pessoas.”

O mercado dá lastro ao argumento. A alta na venda de motos passou de 19% em 2025 na região (fora o Brasil), puxada pela Colômbia, segundo a associação Alianza MotoLatam. Por lá, as duas rodas pesam bem mais na frota do que na Europa ou nos Estados Unidos, com dezenas de milhares de mototáxis em circulação.

Galgo em números
Crédito já concedido +US$ 400 milhões
Receita anualizada atual ~US$ 100 milhões
Meta de receita até 2030 US$ 500 milhões
Peso do Chile no negócio 2%
Mercados de atuação Chile, México e Colômbia

Números da Galgo divulgados em 12/08/2026. Fonte: Valor Econômico

De crédito para imigrantes a aposta pan-regional

A história da Galgo ajuda a explicar o apetite da Uber. A fintech nasceu como Migrante, emprestando a venezuelanos sem acesso ao sistema bancário no Chile. Com a seca de capital de risco que atingiu a região em 2022, a empresa fez uma escolha radical, contada pelo próprio Parot: “Tomamos a decisão mais difícil da história da empresa e encerramos todas as outras linhas de negócio, mantendo apenas a de motocicletas, pois não tínhamos capital suficiente para fazer tudo.” A virada levou a operação a México e Colômbia.

Hoje o Chile responde por apenas 2% do negócio, e a companhia já superou US$ 400 milhões em crédito concedido, virando o resultado para o azul em 2025. A meta é saltar de uma receita anualizada de cerca de US$ 100 milhões para US$ 500 milhões até 2030. A entrada em um quarto país está prevista para o começo de 2027, e uma nova captação está no radar para o mesmo ano.

Para a Uber, o cheque na Galgo se soma a uma estratégia mais ampla de amarrar mobilidade e crédito. Em 2024, o grupo já havia entrado na fintech de mobilidade Moove: aquela captação somou US$ 100 milhões e colocou um preço de US$ 750 milhões na startup. No Brasil, movimentos de aproximação entre plataformas e bancos já apareceram, como a parceria do Banco do Brasil com a Uber para financiar veículos. O crédito para motos de entrega também atraiu capital local: a Vammo levantou US$ 45 milhões para acelerar no país, enquanto fintechs de infraestrutura avançam sobre o financiamento de veículos. O Brasil, aliás, aparece na lista de Parot como um dos maiores mercados-alvo da região, ao lado de Guatemala e Argentina, embora a Galgo ainda não opere por aqui.

O que observar

O movimento mostra super-apps de mobilidade transformando sua base de motoristas e entregadores em mercado cativo de crédito garantido por veículo, um ativo que ao mesmo tempo gera renda e serve de colateral. Vale acompanhar se plataformas globais vão replicar no Brasil o modelo de financiar a moto de quem trabalha na economia sob demanda, onde já atuam fintechs de crédito e de mobilidade, e como reguladores tratam o crédito atrelado a um vínculo de trabalho por aplicativo. O custo efetivo dessas prestações e a inadimplência em um público de renda variável são os pontos que definem se a conta fecha.

Fontes: Valor EconômicoBloomberg

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasInternacional
Ver a editoria

Mais artigos de Internacional

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.