A X passou a pagar os criadores dos Estados Unidos pelo próprio serviço financeiro. Desde 2 de setembro, os repasses do Original Content Rewards Program e das assinaturas para criadores no país são processados pelo X Money, e não mais pela Stripe, segundo a PYMNTS. Quem produz fora dos EUA continua recebendo pela Stripe.
Um representante da plataforma disse ao TechCrunch que a mudança é obrigatória para quem recebe nos Estados Unidos. No aviso publicado na rede, a empresa afirmou: “Você terá acesso aos seus pagamentos no momento em que eles forem enviados” (tradução do inglês).
O que muda para quem recebe nos EUA
No modelo anterior, o pagamento saía a cada duas semanas, com mínimo de US$ 30 por repasse, conforme a documentação da própria X citada pelo TechCrunch. A central de ajuda do programa ainda descreve as duas condições como vigentes. Muda o trilho e o lugar onde o dinheiro aterrissa: uma conta dentro do aplicativo, e não uma conta externa.
A troca chega junto com o desmonte do modelo antigo. A X encerra o Creator Revenue Sharing Program em 7 de setembro e concentra os pagamentos no Original Content Rewards Program, voltado a conteúdo original. As adesões ao programa antigo estão fechadas desde 7 de agosto de 2026. Para entrar no novo, o criador precisa, entre outros critérios, de assinatura paga ativa (Premium, Premium+ ou Premium Business), 500 seguidores verificados e 500 mil impressões de usuários verificados na linha do tempo principal em 90 dias. A empresa emitirá o formulário fiscal 1099-NEC para pessoas físicas e coletará dados do W-9 de quem opera como LLC (limited liability company, a sociedade limitada americana).
Pagamento a criadores da X nos EUA
Início do repasse pelo X Money
2 de setembro de 2026
Criadores fora dos EUA
seguem na Stripe
Fim do Creator Revenue Sharing
7 de setembro
Rendimento listado no site
6% (X Premium) e 4% (padrão)
Cashback do cartão
3%
Formulários fiscais
1099-NEC e W-9
Mudanças no pagamento a criadores nos EUA. Fonte: PYMNTS
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Quem opera o dinheiro por trás do X Money
O X Money não é um banco: as contas ficam no Cross River Bank, banco comercial com carta estadual de Nova Jersey e membro do FDIC (o fundo garantidor de depósitos dos Estados Unidos). Na página oficial de licenças, a X Payments LLC se declara licenciada para transmitir dinheiro nas jurisdições americanas listadas ali e registrada no FinCEN (a unidade de inteligência financeira do Tesouro americano) como prestadora de serviços monetários. A mesma página informa que, em determinados estados americanos, os serviços de carteira, pagamento e transmissão de dinheiro são prestados pelo parceiro bancário Cross River. O banco comunicou em 27 de julho de 2026 que operaria a infraestrutura do serviço.
Um detalhe interessa mais ao mercado de pagamentos do que ao criador. Os repasses passam a contar para a exigência de depósito direto que libera a taxa maior de rendimento do X Money, informou a PYMNTS. O site do serviço lista 6% ao ano para assinantes X Premium e 4% ao ano para usuários padrão. Entre os recursos bancários que o serviço divulga estão cartão com 3% de cashback, pagamentos instantâneos e saques gratuitos em caixa eletrônico.
Cada pagamento deixa de ser saída para trilho de terceiro e vira crédito numa conta da própria casa. Plataformas de conteúdo vêm aproximando pagamento e produto financeiro em outros mercados: no Reino Unido, Visa e TikTok lançaram cartão para criadores.
O que observar
Quando uma plataforma social monta o próprio serviço financeiro, ela passa a decidir por onde corre o dinheiro de quem publica nela, e essa decisão tira volume de quem antes fazia o repasse. Vale acompanhar se o processador terceirizado segue atendendo os mercados onde a plataforma ainda não tem licença, ou se a migração avança conforme novas autorizações saem. No banco parceiro, se o pagamento ao criador conta como depósito direto e destrava rendimento maior, a conta pode passar a reter saldo, o que mexeria no custo de captação e na atenção do supervisor estadual.