Mais de 120 profissionais de cibersegurança pedem ao governo dos EUA reversão do export control sobre Fable 5 e Mythos 5 em carta a Lutnick e Cairncross.
Três dias depois de bancos, fintechs e empresas brasileiras perderem acesso a Fable 5 e Mythos 5 da Anthropic por export control, mais de 120 profissionais de cibersegurança, incluindo executivos da Sophos, Zoom e Bugcrowd, assinaram carta aberta a Howard Lutnick (Comércio) e Sean Cairncross (Cyber Nacional) pedindo a reversão da restrição.
Da preview de Mythos ao bloqueio global
Quando
Marco
Abril de 2026
Mythos entra em preview com cerca de 50 empresas no Project Glasswing
9 de junho de 2026
Anthropic libera Fable 5 e Mythos 5 publicamente
12 de junho de 2026
Departamento de Comércio dos EUA emite export control
13 a 14 de junho de 2026
Anthropic desliga acesso global a Fable 5 e Mythos 5
14 de junho de 2026
Carta aberta de cibersegurança datada e enviada
15 de junho de 2026
Joe Levy, CEO da Sophos, divulga o documento no LinkedIn
Cronologia compilada com base nas datas registradas no site da carta. Fonte: freefable.org
O que diz a carta
O documento, dirigido ao secretário de Comércio Howard Lutnick e ao diretor de cibersegurança Sean Cairncross, defende a reversão com três argumentos técnicos. O primeiro é que a capacidade que motivou a ordem do governo não seria exclusiva da Anthropic. Os signatários afirmam que os modelos Mythos são bons em achar falhas, mas que isso não os torna únicos, e listam GPT-5.5, Opus, Sonnet e o chinês Kimi 2.7 como alternativas que defensores já usam para o mesmo trabalho.
O segundo argumento é que o Fable 5, a versão pública, traz proteções múltiplas contra uso ofensivo, segundo a carta. O terceiro liga capacidade técnica a geopolítica: a frente chinesa de modelos open-weight estaria, segundo os signatários e em tradução livre, “a apenas meses de distância dos melhores modelos americanos”. Daí a frase central do texto, reproduzida pela PYMNTS: a ação “tirou os melhores modelos dos defensores, criou incerteza de mercado e colocou em risco a liderança americana em IA sem nenhum risco real que justifique”.
Entre os signatários listados pela imprensa estão Alex Stamos, ex-chief of security do Facebook e hoje na Corridor; Joe Levy, CEO da Sophos; Sandra McLeod, CISO da Zoom; Casey Ellis, fundador da Bugcrowd; Katie Moussouris, fundadora da Luta Security; e Rachel Tobac, CEO da SocialProof Security, segundo apuração da TechCrunch.
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A saga que levou ao bloqueio
O texto chega depois de uma sequência rápida de eventos cobertos pelo Let’s Money. Em 1º de junho, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, descreveu o Mythos como “arma nuclear” no sistema bancário, citando a descoberta de cerca de 300 vulnerabilidades no Firefox por uma única passada do modelo, contra 30 do antecessor. Dias depois, a OpenAI passou a oferecer o GPT-5.5 Cyber a nove bancos britânicos, ocupando o vácuo deixado pela política restritiva da Anthropic.
O shutdown global, ordenado às 18h21 de Brasília do dia 12 de junho por Lutnick (17h21 horário do leste americano), pegou clientes brasileiros e europeus de surpresa, já que a Anthropic não consegue separar acessos por nacionalidade em produção. A empresa publicou nota afirmando que cumpria a determinação, mas considerava o critério desproporcional. Segundo a TechCrunch, a Anthropic afirmou que a ordem da Casa Branca pode ter se baseado em relato de método de bypass do Fable que liberava capacidades equivalentes ao Mythos. A PYMNTS reporta que a empresa está em negociação com a Casa Branca para encerrar as restrições.
O que observar
O endereçamento da carta a duas pastas (Comércio e Cyber Nacional) sinaliza que a discussão sobre risco sistêmico de modelos frontier deve sair do círculo fechado de empresas habilitadas e ganhar framework de avaliação de risco explícito. Para times de defesa que dependem desses modelos para análise estática de código e geração de exploits controlados, o gap entre acesso autorizado e capacidade técnica abre janela: enquanto o desenho de avaliação é discutido, modelos concorrentes capturam o caso de uso operacional.
A pergunta é se o novo arranjo virá com critérios técnicos auditáveis ou seguirá lógica caso a caso. No primeiro cenário, provedores de modelos frontier ganham previsibilidade de roteiro de produto e ciclos de release. No segundo, o ônus recai sobre quem opera com a stack: bancos, fintechs e times de segurança que precisarão de plano de contingência para evitar parada operacional cada vez que um modelo for retirado do mercado por decisão administrativa de prazo curto.