A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Febraban assinaram acordo de cooperação técnica com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para modernizar os mecanismos de prevenção e combate à lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa (PLD/FTP). O acordo, firmado em 19 de março, inclui uso de inteligência artificial e o lançamento de um selo de conformidade.
Estrutura do acordo
1
Cooperação técnica
Apoio tecnológico do setor financeiro ao Coaf, incluindo IA e machine learning
2
Intercâmbio de informações
Troca de dados sobre operações suspeitas e novas ferramentas de inteligência financeira
3
Selo de Conformidade PLD/FTP
5 entidades: ABBC, Acrefi, ABFintechs, Abranet e Zetta
Selo apresentado ao mercado em 25/02 e formalizado em 03/03.
Selo de conformidade ampliado
A nova versão do Selo de Conformidade em PLD/FTP conta com cinco entidades signatárias: ABBC (bancos), Acrefi (financeiras), ABFintechs, Abranet e Zetta (fintechs). O selo foi apresentado ao mercado em 25 de fevereiro e formalizado em 3 de março. O mecanismo funciona como uma certificação setorial, indicando que a instituição participante segue padrões mínimos de prevenção à lavagem.
O acordo prevê a elaboração de um plano de trabalho detalhado com as iniciativas específicas de cada entidade. O foco em aprimoramento tecnológico, incluindo IA e machine learning, reflete a necessidade de processar volumes crescentes de alertas de operações suspeitas sem depender exclusivamente de análise humana.
Contexto de pressão regulatória
A iniciativa acontece em um momento de pressão sobre o sistema financeiro onde o BC reforçou exigências de capital mirando fraudes. Em outubro de 2025, o Coaf já havia anunciado parceria prévia com a Febraban para modernizar sistemas internos.
O departamento de supervisão de conduta do Banco Central, liderado por Gerson Romantini, tem atuado na coordenação entre reguladores e entidades do setor para fechar lacunas de compliance. A liquidação da Reag ligada a fraude do Banco Master expôs vulnerabilidades que o novo acordo busca endereçar.
O que observar
A parceria pode resultar em novos padrões de compliance que impactem desde grandes bancos até fintechs e instituições de pagamento. Com o avanço de operações digitais e instantâneas via Pix, a velocidade de detecção de operações ilícitas se torna um gargalo operacional relevante.
Vale acompanhar se o Selo de Conformidade se tornará pré-requisito para operar em determinados segmentos e como a inclusão de ABFintechs e Zetta entre os signatários influenciará os padrões de compliance no ecossistema de BaaS. A Febraban já vem pedindo governança rígida no Open Finance, e este acordo pode ser mais um instrumento nessa direção.
Fontes: Valor Econômico · Finsiders · Gov.br/Coaf