Ir para o conteúdo

Regulaçãobanco central · ABBC

ABBC alerta: sem PEC, BC fica refém de pressão política

Vilain, da ABBC, diz que PEC é ‘importantíssima’ para blindar regulador e cobra solução para impasse de mais de 20 anos. Pix também preocupa.

por

· 3 min

Atualizado em

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) saiu em defesa da PEC que concede autonomia orçamentária e financeira ao Banco Central, projeto travado na CCJ do Senado mesmo após o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ter pedido publicamente “socorro” aos senadores na semana passada para destravar a votação.

PEC 65/2023: o que propõe

Aspecto Proposta
Status jurídico Entidade pública de natureza especial
Autonomia Orçamentária, financeira e administrativa
Limites Teto de gastos definido na PEC
Fiscalização TCU, CGU e Congresso
Pix Regulação e operação exclusivas do BC

Principais pontos da PEC 65/2023. Fonte: Valor Econômico

O impasse da autonomia

“Essa questão da autonomia do BC é discutida há mais de 20 anos, precisamos de uma solução. O regulador brasileiro está muito atrás dos BCs de outros países nessa questão da independência”, disse Leandro Vilain, presidente da ABBC, em entrevista ao Valor. Segundo ele, o regulador não pode ficar refém de políticas de governo, independentemente de qual administração esteja no poder. Sem autonomia financeira, o BC fica sujeito a pressões: se tomar decisão que desagrade o governo, pode ter seu orçamento prejudicado.

O apelo da ABBC ocorre em momento delicado. O relatório da PEC 65 ficou de fora da pauta da CCJ nesta quarta-feira, mesmo após Galípolo intensificar a pressão por mais recursos para o regulador. Na semana passada, o presidente do BC revelou que a autarquia opera com 3.400 servidores dos 6.470 previstos em lei, contra 23 mil do Fed americano. Vilain reforça: “Não adianta ter lei se o regulador não tem condições de forçar sua aplicação”.

A proposta original previa transformar o BC em empresa, mas o relator Plínio Valério alterou o texto para entidade pública de natureza especial, acatando sugestão da AGU. Para Vilain, isso faz parte do processo: “A PEC não é um cheque em branco para o BC, ela estabelece limites de gastos, órgãos fiscalizadores, como TCU e CGU, além do próprio Congresso”.

O nó do Pix

O texto da PEC veda a concessão, alienação ou transferência do Pix a qualquer ente público ou privado. Para Vilain, a impossibilidade de parcerias com o setor privado pode ser um complicador. “Um sistema com o tamanho que o Pix tem hoje é algo que precisa de uma infraestrutura grande de manutenção, muitos investimentos, como a gente viu que ficou claro com os casos recentes de ataques cibernéticos que tivemos no Brasil. Se o BC não tiver orçamento para investir no Pix, isso pode ser um problema”, disse.

Questionado sobre as condições políticas de aprovação, considerando que o Centrão está incomodado com o BC em razão das intervenções no caso do Banco Master, Vilain foi direto: “Precisamos afastar a política dessa discussão que é fundamental para o Brasil. É uma agenda de país, não de direita ou esquerda”.

O que observar

A movimentação de associações setoriais em defesa da PEC indica que o setor financeiro percebe risco concreto de o projeto perder tração no Senado. A questão do Pix é particularmente sensível: vedar parcerias com o setor privado em um sistema que processa bilhões de transações exige que o regulador tenha orçamento compatível com a escala, algo que a PEC deveria resolver mas que depende da aprovação que segue travada. Com pouco mais da metade dos cargos preenchidos e atribuições crescendo (o acordo de cooperação técnica entre BC e CVM para intercâmbio de dados de crédito foi anunciado esta semana), a capacidade operacional do regulador se torna uma variável macroeconômica: afeta percepção de risco e, em última instância, custo de capital.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilAcessa

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.