O volume transacionado com cartões no Brasil somou R$ 1,2 trilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 7,7% em um ano, segundo balanço da Abecs. O cartão de crédito puxou o resultado, com R$ 846,3 bilhões (+11,4%), mas o ritmo geral desacelerou: o presidente da associação vê um trimestre “de cautela”.
Cartões no 2º trimestre de 2026
Modalidade
Volume
Variação anual
Crédito
R$ 846,3 bilhões
+11,4%
Débito
R$ 245,6 bilhões
-1,2%
Pré-pago
R$ 96,8 bilhões
+0,2%
Total
R$ 1,2 trilhão
+7,7%
Balanço do 2º trimestre de 2026 da Abecs. Fonte: Valor Econômico
Crédito puxa semestre de R$ 2,3 trilhões em cartões
No acumulado do primeiro semestre de 2026, os cartões movimentaram R$ 2,3 trilhões, avanço de 8% sobre o mesmo período do ano anterior. O crédito somou R$ 1,7 trilhão (+12,1%), enquanto o débito recuou 1,8%, para R$ 481,6 bilhões, e os pré-pagos cresceram 0,5%, para R$ 191,1 bilhões. O resultado vem na sequência de um primeiro trimestre em que os cartões bateram R$ 1,1 trilhão, também com o crédito na dianteira.
“Com destaque, mais uma vez, para o cartão de crédito, crescimento robusto de 12,1% no semestre, atingindo o número de R$ 1,7 trilhão no período”, disse Giancarlo Greco, presidente da Abecs, na apresentação dos resultados.
Os pagamentos por aproximação somaram R$ 1 trilhão no semestre, alta de 18,5%, e já respondem por 76,2% das transações presenciais com cartões, segundo a associação. As compras não presenciais movimentaram R$ 633 bilhões (+18%) e os pagamentos recorrentes, de assinaturas e serviços contínuos, somaram R$ 86,9 bilhões (+34%). Uma pesquisa da Abecs com o Datafolha indica que 73% dos brasileiros utilizam pagamentos por aproximação.
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Cautela no consumo e projeção sob observação
Greco classificou o crescimento do segundo trimestre como “moderado” e ligou o desempenho ao comércio, aos serviços e à confiança do consumidor. “Parece que o segundo trimestre foi de cautela”, afirmou. A Abecs projeta expansão entre 9,5% e 11,5% para 2026 e, segundo o executivo, deve acompanhar os dados das próximas semanas para decidir se altera ou não a projeção para baixo. “Por enquanto, a gente mantém o intervalo que a gente determinou.”
A inadimplência dos cartões atingiu 9,6% em junho, segundo dados do Banco Central citados na apresentação, acima dos 7,6% da carteira geral de pessoas físicas. Os juros do rotativo, que vinham de 432% ao ano em abril de 2026, subiram de 439,8% em maio de 2026 para 442,4% ao ano em junho. Greco destacou que o consumidor permanece em média 14,1 dias no rotativo e que 85% dos brasileiros pagam a fatura do cartão em dia.
Para o executivo, esse recorte muda a leitura do custo da linha: “mais do que nunca, é importante a gente começar a olhar efetivamente a taxa de juros do rotativo, fazer um cálculo talvez de uma forma um pouco mais realista frente à sua utilização”, defendeu.
O que observar
O primeiro teste é a própria projeção: se o calendário do varejo no fim do ano repetir o padrão de semestres mais fortes, o intervalo de 9,5% a 11,5% tende a se sustentar; se a cautela do consumo persistir, uma revisão para baixo entra na mesa nas próximas divulgações. Vale acompanhar também como emissores calibram a concessão de limite e a venda de novos produtos num ambiente em que a inadimplência sobe em todas as linhas de crédito.
Outra frente é a forma de medir o custo do rotativo. Se a tese de um cálculo ponderado pelo tempo real de uso ganhar tração entre emissores e regulador, o debate sobre os juros do cartão, hoje ancorado na taxa anualizada, pode mudar de termos. A pergunta é se essa métrica convence quem olha para a parcela de usuários que efetivamente recorre à linha e paga o custo cheio dela.