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Abecs reformula estatuto e vai ter CEO de mercado

Assembleia extraordinária mudou o estatuto da Abecs: a diretoria dá lugar a um comitê executivo, a entidade terá CEO de mercado e amplia o escopo.

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A Abecs aprovou uma reforma do próprio estatuto em assembleia geral extraordinária e passará a ser conduzida por um CEO contratado no mercado, arranjo que já existe em entidades como a Febraban e a ABBC. A entidade também alarga o raio de atuação, saindo de um recorte centrado no cartão para abrigar outras formas de pagar. O desenho teve assessoria da consultoria Oliver Wyman, apurou o Valor.

O desenho antigo e o novo

Como era Como fica
Diretoria Comitê executivo, a ser criado em até 90 dias
Sem instância de integração externa Comitê consultivo ligado a outras associações
Condução por dirigente vindo das associadas CEO contratado no mercado
Escopo centrado em cartões Escopo aberto a outros meios de pagamento

Mudanças aprovadas na assembleia de 20 de agosto de 2026. Fonte: Valor Econômico

O que o novo estatuto da Abecs muda na governança

A diretoria sai de cena e dá lugar a um comitê executivo, que ainda precisa ser montado dentro de um prazo de até 90 dias. Pela apuração do Valor, esse colegiado reunirá em essência representantes dos cinco maiores emissores de cartão do país, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander, das três maiores adquirentes, Cielo, Getnet e Rede, todas ligadas a bancos, e das três principais bandeiras, Elo, Mastercard e Visa. A Rede lidera o volume transacionado entre as credenciadoras, segundo dados de mercado do início de 2026.

Em paralelo nasce um comitê consultivo, cuja função é costurar a Abecs a outras entidades do setor, caso de Abipag, Abranet e Zetta, que abrigam empresas de pagamento não representadas diretamente na estrutura executiva. A troca de comando será gradual: Giancarlo Greco, diretor-presidente da entidade e CEO da Elo, deve seguir no posto durante a transição e sair quando o novo modelo estiver de pé. O vice-presidente executivo, Ricardo Vieira, também deve deixar o cargo, sem definição sobre recondução. Procurada pelo Valor, a Abecs não se manifestou.

Por que a associação quis um perímetro maior

O recorte de cartão ficou estreito para o que o setor virou. Pix, open finance e tokenização redesenharam a distribuição de volume nos últimos anos, e agora entra na conta o comércio conduzido por agentes de inteligência artificial. No segundo trimestre de 2026, o setor de cartões movimentou R$ 1,2 trilhão, e boa parte das decisões que afetam esse volume já não nasce dentro do cartão.

Greco tratou dessa fronteira em abril de 2026, no 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos, em São Paulo. Ele classificou as transações agênticas como megatendência e afirmou que a mudança cobra uma camada nova de verificação. “No momento em que tiver um agente fazendo transações pelo usuário será necessário ter um outro nível de autenticação, para garantir que ele é o responsável pela operação”, disse. Do lado de quem opera a maquininha, o assunto ainda é desigual: pesquisa divulgada em maio de 2026 mostrou adquirentes preparadas para o comércio agêntico, com só 32% dos lojistas no mesmo passo.

O que observar

Trocar dirigente eleito entre pares por executivo contratado muda o tipo de trabalho que uma associação setorial consegue entregar. Vale acompanhar o perfil escolhido: alguém vindo de operação de pagamentos tende a puxar a agenda para padrões técnicos e interoperabilidade, enquanto um perfil de relações institucionais empurra a entidade para a mesa de discussão regulatória. O anúncio do nome, e a bagagem dele, dirá qual dos dois caminhos a associação priorizou.

A segunda coisa a observar é se o perímetro maior sobrevive ao teste prático. Entidades que ampliam escopo passam a reunir elos com interesses distintos na mesma sala, de emissores a credenciadoras e provedores de infraestrutura, e a pergunta é se isso acelera consenso ou apenas transfere o impasse para o comitê consultivo. Um bom termômetro nos próximos meses será quantas posições públicas a entidade assume sobre temas fora do cartão, como iniciação de pagamento e transação conduzida por agente, terreno em que a representação do setor ainda está sendo dividida entre várias associações.

Fontes: Valor EconômicoMobile Time

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