A Abipag (Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos) aderiu a dois selos de conformidade durante o Congresso Abipag 2026: o Selo de Conformidade em PLD/FTP, da Abracam, e o Selo Fin de Prevenção a Fraudes, que avalia maturidade em oito pilares de combate a golpes.
Selos de conformidade adotados pela Abipag
| Selo |
Gestor |
O que certifica |
| Conformidade em PLD/FTP |
Abracam |
Políticas de PLD, financiamento do terrorismo e proliferação de armas |
| Prevenção a Fraudes |
Fin |
Maturidade em 8 pilares de combate a golpes e fraudes |
Adesões anunciadas no Congresso Abipag 2026, Brasília. Fonte: Finsiders Brasil
Selo PLD/FTP: criado com apoio do BC em 2020, agora abrange pagamentos
O Selo de Conformidade em PLD/FTP foi criado pela Abracam em 2020 com apoio técnico do BC, com a condição de que o instrumento se expandisse para além do mercado de câmbio. Gerson Romantini, chefe de divisão do Banco Central, ressaltou que uma das contrapartidas da iniciativa era garantir governança séria e o seguimento do regramento do BC. Em dezembro, Abranet, ABBC, ABFintechs, Acrefi e Zetta passaram a integrar a iniciativa. Agora, a Abipag se incorpora ao grupo, levando o selo às instituições de pagamento.
Kelly Gallego Massaro, presidente da Abracam, informou que o selo já conta com cinco séries, adaptadas ao longo do tempo. Ela explicou que o primeiro ciclo de certificação funciona como processo de inserção e consultoria, voltado à compreensão das boas práticas antes da avaliação formal. A adesão da Abipag ocorre em um momento de maturidade da digitalização do sistema financeiro e dos crescentes desafios de golpes e fraudes em canais digitais, incluindo o Pix.
Selo Fin: oito pilares e alerta contra lacunas no sistema
O Selo Fin de Prevenção a Fraudes reconhece as instituições que cumprem requisitos estabelecidos em oito pilares de combate a golpes. A Fin gerencia a governança do selo, enquanto a avaliação é realizada por consultoria contratada. A iniciativa nasceu no comitê de fraudes da Febraban e foi ampliada pela Fin para abranger todo o ecossistema. “O selo tem de ser efetivo e não de prateleira; e que leve o mercado a trabalhar de forma mais coesa. Não adianta ter ilhas de excelência se temos lacunas no sistema”, afirmou Cássia Botelho, diretora-superintendente da Fin.
Natália Grigolin, sócia da EY Brasil, reforçou que o processo precisa ser técnico e transparente. “Selos e revisões servem também para casas identificar e corrigir controles que deveriam estar performando 100%”, afirmou. Essas adesões se somam ao Guia Prático para Instituições de Pagamento na Segurança do Ecossistema Financeiro, publicação da Abipag que integra PLD/FTP, combate a fraudes e segurança cibernética em uma estrutura comum. O risco reputacional de falhas de compliance no setor financeiro brasileiro tornou essas iniciativas mais urgentes.
O que observar
A adesão de associações de pagamentos a selos de PLD e prevenção a fraudes reforça o papel da autorregulação como instrumento complementar à supervisão do BC. O movimento é relevante porque esses selos, ainda que voluntários, tendem a se consolidar como referência de mercado: instituições sem certificação passam a carregar implicitamente um sinal de ausência de comprometimento com as melhores práticas, mesmo sem obrigação regulatória formal.
O alerta sobre “ilhas de excelência” sinaliza que o risco sistêmico persiste enquanto a adesão for fragmentada. Para fintechs e instituições de pagamento que ainda não participam dessas iniciativas, a pressão para aderir tende a crescer tanto pelos pares quanto por clientes corporativos que incluem compliance em seus critérios de contratação. Vale acompanhar se o histórico recente de liquidações de fintechs pelo BC acelera a adoção voluntária dos selos nas próximas rodadas de certificação.
Fontes: Finsiders Brasil • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money