Mensagens atribuídas a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso em 16 de abril, indicam que ele definiu pessoalmente os fundos do ecossistema Master/Reag para aportes irregulares no capital do banco. A conclusão integra ação judicial ajuizada pelo próprio BRB em fevereiro contra Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, da Reag, e fundos de investimento.
Números do caso BRB-Master
| Dado |
Valor |
| Carteiras compradas pelo BRB do Master e Will Bank |
R$ 26 bilhões |
| Títulos podres da Tirreno identificados na ação |
~R$ 13 bilhões |
| Participação do ecossistema Master/Reag no BRB |
23,5% do capital social |
| Aumento de capital irregular, maio de 2024 |
R$ 290 milhões captados |
| Pagamentos rastreados a Costa pela PF |
> R$ 74 milhões |
Ação judicial do BRB (fev. 2026). Fonte: Valor Econômico
As mensagens que indicam fraude
A ação aponta que, durante o aumento de capital do BRB aprovado em maio de 2024, foram captados R$ 290 milhões de fundos do ecossistema Master/Reag. Pelas regras do processo, apenas acionistas posicionados em 17 de maio daquele ano estavam autorizados a participar, o que excluía os fundos que Costa teria inserido na operação. “Vai dividir em três veículos. Por favor, faça uma nova de 250 mm”, diz trecho de mensagem atribuída a Costa no processo.
O processo aponta indícios de reorganização societária e mobilidade acelerada de participações acionárias para dificultar rastreabilidade pelos reguladores, segundo a ação. O bloqueio de R$ 376 milhões em ações do BRB ligadas ao ecossistema Master foi concedido pela Justiça em fevereiro, antes de a ação ser tornada pública.
Como o ecossistema tomou o banco
Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB adquiriu R$ 26 bilhões em carteiras de crédito do Master e do Will Bank. A ação aponta cerca de R$ 13 bilhões em títulos podres originados pela empresa Tirreno e afirma que a sequência de aportes fez com que 23,5% do capital social do BRB ficasse sob titularidade de acionistas com vínculos ao ecossistema Vorcaro.
A ação foi ajuizada contra Vorcaro, preso pela segunda vez em março, cuja investigação incluiu mensagens em que comparou o setor bancário a uma máfia, e contra João Carlos Mansur, da Reag, além de fundos de investimento. A Polícia Federal aponta que Costa teria recebido seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões como propina, com pagamentos rastreados superiores a R$ 74 milhões. A defesa de Costa nega as acusações. A Segunda Turma do STF começa a analisar nesta quarta-feira a decisão do ministro André Mendonça que autorizou a prisão.
O que observar
O julgamento do STF nesta semana define se a prisão preventiva se mantém, mas o impacto estrutural do caso vai além: ele expõe as fragilidades nos mecanismos de controle de aumentos de capital com participação de fundos vinculados a contrapartes comerciais de bancos estaduais. A pergunta que fica é se as estruturas regulatórias existentes conseguem detectar, em tempo real, a concentração acionária de partes relacionadas em instituições financeiras de médio porte.
Vale acompanhar o desdobramento da ação civil: o pedido de bloqueio de participações é medida cautelar preliminar, e a disputa pela indenização pelos danos ao banco ainda vai se desenvolver. A extensão do rombo, estimada em mais de R$ 13 bilhões em títulos questionáveis, eleva a pressão por regras mais rígidas para operações de crédito entre instituições financeiras com vínculos econômicos cruzados.
Fontes: Valor Econômico • Metrópoles • Agência Brasil