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Access PaySuite compra infra de open banking da Ordo no UK

Subsidiaria britanica do Access Group absorve infra de open banking da Ordo, fintech UK fechada em agosto pela Neonomics, e ganha VRP nativo.

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Atualizado em

A Access PaySuite, subsidiária britânica do Access Group que processa pagamentos para mais de 6 mil organizações no Reino Unido, comprou a infraestrutura de open banking da Ordo, fintech FCA-authorized fechada em agosto de 2025 pela dona norueguesa Neonomics. Com o ativo, a Access embute iniciação de pagamentos e cobrança recorrente via open banking ao lado de cartão e Direct Debit.

A trajetória da Ordo em 8 anos

Quando O que aconteceu
2018 Ordo fundada por ex-equipe do Faster Payments scheme do Reino Unido
Janeiro de 2025 Neonomics (Noruega) compra a Ordo para entrar no mercado britânico
Agosto de 2025 Neonomics fecha a Ordo 8 meses depois para concentrar recursos nos mercados nórdico e europeu
Junho de 2026 Access PaySuite (Access Group) compra a infraestrutura remanescente

Trajetória da fintech britânica Ordo entre 2018 e junho de 2026. Fonte: Finextra

O que a Access PaySuite ganha

O ativo dá à Access PaySuite o que faltava no portfólio britânico: iniciação de pagamentos e Variable Recurring Payments (VRP), modalidade britânica de cobrança recorrente que funciona como um Direct Debit com mais controle do pagador sobre limites e autorizações. Antes da compra, a empresa rodava apenas Direct Debit e cartão para sua base de 6 mil organizações. Agora consolida três trilhos na mesma plataforma, alinhando-se ao movimento de quem já provou que open banking britânico escala em plataformas com base instalada.

Em março de 2026, o Let’s Money reportou que a GoCardless atingiu 35 mil empresas com open banking no Reino Unido, indicador de que o canal vinga quando ancorado em uma plataforma de cobrança recorrente já estabelecida. E em maio, a Open Banking Limited venceu a Smart Data Group na disputa pelo futuro institucional do open banking britânico, mantendo a moldura herdada do projeto inicial. O ativo da Ordo entra na Access PaySuite nesse contexto.

O recuo do open banking independente no Reino Unido

A Neonomics havia comprado a Ordo em 23 de janeiro de 2025 como parte de um plano de expansão para o Reino Unido, atraída pela capacidade da fintech britânica em VRP. Oito meses depois, em 5 de agosto de 2025, anunciou o fechamento da subsidiária para reorientar recursos ao mercado nórdico. Em comunicado, o CEO Christoffer Andvig justificou que a Neonomics decidiu fechar a Ordo para concentrar todos os recursos nos mercados nórdico e europeu, onde a demanda por suas soluções de open finance e pagamentos vinha acelerando.

O movimento não foi isolado. No mesmo ano, a Vyne encerrou operações de pagamento conta-a-conta no Reino Unido e a Moneyhub descontinuou seu aplicativo direto ao consumidor, segundo a Tech.eu. A leitura corrente do mercado é que provedoras independentes de open banking britânico encontram dificuldade em escalar receita sem uma base instalada de adquirência ou cobrança recorrente para alimentar o canal, num padrão que ecoa o framework de dado como commodity discutido em entrevistas do Let’s Money sobre open banking europeu: o ativo escasso passa a ser a base de clientes que recebe o trilho de pagamento, não a API que o conecta.

Giulio Montemagno, managing director da Access PaySuite, disse em comunicado que a empresa está embutindo open banking nativamente em suas plataformas e que a “oportunidade maior é combinar pagamentos com inteligência financeira para resolver problemas genuinamente difíceis” (em tradução livre do original em inglês), citando como exemplos a recuperação de receita e a redução de custo de atendimento.

O que observar

Para o ecossistema de open banking britânico, o ponto a acompanhar é se a captura de capacidades de iniciação de pagamento por plataformas com base instalada de adquirência e cobrança recorrente vai virar regra ou exceção. Provedoras independentes que dependem de captação direta de empresas enfrentam concorrência crescente de incumbentes com escala em Direct Debit e cartão, e a tese de que open banking funciona melhor como camada dentro de uma plataforma do que como produto autônomo ganha sustentação adicional.

Vale acompanhar como reguladores britânicos vão tratar cobrança recorrente via open banking fora do recorte de assinaturas digitais, à medida que mais infraestrutura passa a ser controlada por players de plataforma. A próxima janela de teste é a renovação do roadmap de smart data no Reino Unido, que projeta abrir esse perímetro para além de pagamentos.

Fontes: FinextraNeonomicsTech.euAccess PaySuiteLet’s MoneyLet’s Money

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