A pesquisa State of AI, encomendada pela Agent IQ, plataforma de IA para bancos, com 103 bancos e credit unions, aponta que 1 em cada 3 respondentes enxerga a inteligência artificial reforçando a produtividade humana, sem eliminar bancários. O dado chega em um momento em que bancos europeus e brasileiros ainda calibram planos de contratação e treinamento em IA.
Onde os bancos estão na adoção de IA
| Estágio |
% dos bancos |
| Explorando ou pilotando casos de uso |
36% |
| Usando internamente para produtividade da equipe |
32% |
| Deployado em processos voltados ao cliente |
6% |
| Escalado em várias funções |
2% |
Estágio de adoção de IA em bancos e credit unions, segundo State of AI report da Agent IQ. Fonte: Finextra.
35% acham que IA reforça humano, só 6% já entregam no atendimento
A ideia de que a IA vai substituir bancários “não é mais verdadeira”, segundo o State of AI da Agent IQ (em tradução livre). No corte de respostas, 35% dos bancos enxergam a tecnologia elevando a produtividade sem tirar o humano do centro. Outros 27% preveem automação de processos mais robustos, e 18% projetam uma migração dos bancários para papéis mais consultivos e de relacionamento.
A distância entre discurso e execução, porém, é grande. Apenas 6% dos bancos deployaram IA em processos voltados ao cliente e só 2% escalaram a tecnologia por várias funções. A prioridade estratégica reforça a leitura: 82% dos respondentes miram eficiência operacional e redução de processos manuais, contra 58% que apontam produtividade da equipe e 16% que colocam crescimento de receita como foco. Falta de expertise interna aparece como barreira em 62% das respostas, seguida por questões de privacidade e segurança de dados (58%) e desconfiança na precisão dos outputs de IA (44%).
O outro lado: NatWest admite, Lloyds contrata
O achado da Agent IQ contradiz a narrativa recente de que a IA já corrói postos bancários. Em junho, o Let’s Money mostrou que o CEO do NatWest, Paul Thwaite, admitiu que parte das funções do banco de 60 mil pessoas será assumida por IA, com estimativas de que o setor europeu possa perder até 200 mil vagas em cinco anos. Na semana seguinte, o Lloyds Banking Group tomou o caminho oposto e abriu 300 vagas em IA agêntica no Reino Unido, somando ao time de 700 já dedicados à tecnologia. Pela série histórica do Let’s Money sobre IA em bancos europeus, o padrão que emerge é o de redistribuição, não corte generalizado, com bancos reciclando o quadro enquanto contratam especialistas.
Vale registrar que a fonte da pesquisa é a Agent IQ, provedora de plataformas de IA para o setor bancário, com interesse comercial na narrativa de expansão da tecnologia. O dado precisa ser lido nesse contexto.
O que observar
Pesquisas encomendadas por fornecedores tendem a puxar a leitura para o lado da tecnologia, e vale acompanhar como estudos independentes de reguladores e centros acadêmicos vão triangular o tema. O gap entre discurso e execução é o dado que mais importa: com 68% dos bancos ainda em fase de exploração ou uso interno de IA, o efeito real sobre postos de trabalho no atendimento ao cliente e nas operações de crédito só vai aparecer nos próximos ciclos de balanço. Também vale acompanhar como bancos brasileiros, com pipeline forte de vagas em IA e programas de capacitação em curso, vão calibrar planos de contratação frente à onda de reestruturação anunciada em bancos europeus.
Fontes: Finextra • Let’s Money: NatWest admite IA vai assumir vagas • Let’s Money: Lloyds abre 300 vagas em IA • Let’s Money: NatWest lança curso de ética em IA