A Airwallex captou US$ 320 milhões em uma rodada Série H que elevou seu valuation a US$ 11 bilhões, ante os US$ 8 bilhões registrados em dezembro de 2025, alta de 37,5% em seis meses. A fintech, que tem licença do Banco Central para operar no Brasil, vai usar o capital para entrar no comércio agêntico e nas chamadas finanças autônomas.
Airwallex em números
| Indicador |
Valor |
| Valuation |
US$ 11 bi (de US$ 8 bi em dez/2025) |
| Série H |
US$ 320 mi (liderada pela Addition) |
| Receita anualizada |
US$ 1,3 bi (+74% em mar/2026) |
| Volume transacionado |
US$ 287 bi/ano (+120% em mar/2026) |
| Empresas atendidas |
676 mil+ no mundo |
Dados do anúncio da Série H da Airwallex (junho de 2026). Fonte: Airwallex
Dois produtos para o comércio agêntico
Junto com a captação, a Airwallex apresentou duas frentes. O T:0 é uma plataforma financeira nativa de IA desenhada para rodar toda a função de finanças de uma empresa de ponta a ponta, automatizando contabilidade, previsão, impostos, compliance e relatórios. A companhia descreve o produto como contabilidade de nível CFO sem necessidade de migração de dados, hoje em beta fechado e na mesma linha do agente de IA para o CFO que ganhou ao comprar a Leapfin.
A segunda frente é o Airi, uma carteira agêntica para o consumidor. No lançamento, ela incorpora a capacidade de checkout em um clique, que segundo a empresa entregou aumento de até 14% nas conversões de checkout em testes iniciais com lojistas digitais. A previsão é evoluir para pagamentos delegados a agentes, limites de gasto, controles de permissão e saldos em múltiplas moedas.
A aposta na infraestrutura construída em dez anos
Fundada em Melbourne em 2015, a Airwallex atende mais de 676 mil empresas no mundo, com aceitação de pagamentos, contas globais, cartões corporativos e gestão de despesas. Em março de 2026, a fintech alcançou US$ 1,3 bilhão em receita anualizada, alta de 74% em 12 meses, e US$ 287 bilhões em volume transacionado anualizado, crescimento de mais de 120%. A rodada teve a Addition como líder, com participação de Baillie Gifford, Hummingbird, QED Investors, T. Rowe Price, Hedosophia, Haun Ventures, Washington University in St. Louis e Amex Ventures.
O movimento se apoia na base regulatória que a empresa montou ao longo da década, incluindo a autorização do Banco Central para operar no Brasil, obtida em janeiro de 2025, com contas em reais e integração a Pix e boleto. “Este novo capital nos permite acelerar para o próximo capítulo da Airwallex: finanças autônomas, comércio agêntico e a infraestrutura para impulsionar ambos”, disse Jack Zhang, CEO da companhia, no comunicado da rodada (em tradução livre). A captação anterior, uma Série G de US$ 330 milhões a um valuation de US$ 8 bilhões, havia sido anunciada em dezembro de 2025.
O que observar
A aposta coloca uma fintech de pagamentos cross-border no mesmo território que adquirentes e bandeiras vêm disputando para o comércio agêntico, onde o agente de IA inicia e conclui a compra pelo usuário. A pergunta que fica é se carteiras voltadas a agentes ganham tração real de uso, ou se permanecem como camada experimental enquanto o varejo digital ainda calibra confiança no pagamento autônomo. Vale acompanhar como provedores de infraestrutura de pagamentos vão tratar a delegação de gasto a um agente, tema em que a linha entre conveniência e controle de risco ainda está sendo desenhada.
Para o mercado brasileiro, o ponto a observar é a combinação entre essa camada agêntica e trilhos locais como Pix e Open Finance. Se a iniciação de pagamentos por agentes amadurecer, fintechs com licença local e operação cross-border tendem a ser as primeiras a testar como limites de permissão e autenticação se encaixam no fluxo instantâneo. O teste prático será a régua de compliance que cada jurisdição vai exigir para autorizar um agente a movimentar dinheiro em nome de um cliente.
Fontes: Finextra • Airwallex • BusinessWire • Let’s Money