A Airwallex integrou a Affirm e passou a deixar lojistas de 35 países oferecerem parcelamento ao consumidor dos Estados Unidos direto no checkout, sem precisar abrir uma empresa no país. A Affirm, plataforma americana de “compre agora, pague depois”, movimentou US$ 11,6 bilhões no trimestre encerrado em março de 2026.
Affirm em números (trimestre até março de 2026)
| Indicador |
Valor (variação anual) |
| Volume de compras (GMV) |
US$ 11,6 bi (+35%) |
| Consumidores ativos |
26,8 milhões (+22%) |
| Lojistas ativos |
515,2 mil (+44%) |
| Transações por consumidor |
6,7 (+20%) |
Resultados do trimestre encerrado em 31 de março de 2026. Fonte: Affirm
Como a integração funciona para o lojista
A Airwallex é a plataforma que empresas usam para receber pagamentos em vários países. A Affirm é o serviço americano que divide a compra em parcelas na hora do checkout. Com a integração, um lojista que já vende pela Airwallex passa a exibir a Affirm como forma de pagamento para o comprador dos EUA sem contratar um novo fornecedor nem montar uma operação local. O consumidor americano pode escolher quatro parcelas sem juros ou planos mensais de até 24 meses, sem cobrança de mora ou taxas escondidas.
A opção fica disponível nas diferentes formas de integração da Airwallex, da página de pagamento hospedada ao SDK para aplicativos, incluindo Shopify e links de pagamento. A empresa afirma suportar mais de 160 meios de pagamento no mundo, o que permite ao lojista manter um mix local e ainda plugar a demanda dos EUA. “Cada vez mais lojistas ao redor do mundo procuram formas melhores de atender o consumidor dos EUA, e oferecer opções de pagamento no checkout é parte importante disso”, disse Steve McPhee, vice-presidente de parcerias estratégicas da Affirm, em tradução livre.
Por que os EUA e o que a Airwallex ganha
A aposta se apoia na escala da Affirm no consumidor americano, forte em categorias de tíquete alto como eletrônicos, móveis e viagens. A base de 26,8 milhões de consumidores e o salto de 44% no número de lojistas ativos mostram um canal em expansão, o mesmo que sustenta parcelamentos longos em plataformas como a Amazon Business, que parcela compras em até 48 meses com a Affirm. Para a Airwallex, adicionar o parcelado à prateleira reforça a estratégia de virar infraestrutura de comércio global, depois de captar US$ 320 milhões e entrar no comércio agêntico.
O arranjo também toca o Brasil. A Airwallex recebeu licença de instituição de pagamento do Banco Central em janeiro de 2025 e opera no país com contas em reais, Pix e Boleto. Na prática, um lojista brasileiro que vende para os EUA usando a plataforma passa a ter o parcelamento americano como forma de pagamento, sem a barreira de constituir uma empresa lá fora.
O que observar
O ponto a acompanhar é quem mais sente esse movimento. Provedores de parcelamento no checkout ganham um canal de distribuição para chegar a lojistas fora dos EUA sem esforço comercial direto, enquanto plataformas de pagamento cross-border passam a competir menos por taxa e mais pelo leque de meios de pagamento que conseguem plugar em uma única integração. A pergunta é se a remoção da exigência de entidade local vira padrão do setor ou diferencial temporário.
Para o lojista exportador, o teste prático é de conversão: vale acompanhar se oferecer parcelamento ao comprador dos EUA aumenta o tíquete médio em categorias de valor alto sem elevar o custo de aquisição. Se isso se confirmar, a disputa entre plataformas cross-border tende a migrar da adquirência pura para a curadoria de formas de pagamento locais em cada mercado de destino.
Fontes: MerchantsEye • PYMNTS • Affirm