A Airwallex lançou um produto de pagamentos presenciais que unifica loja física e online em uma única plataforma global, avançando sobre o território da Stripe, Adyen e Square. A fintech australiana, avaliada em US$ 8 bilhões, gera receita anualizada de cerca de US$ 1,3 bilhão e já tem licença do Banco Central do Brasil para operar contas em real, PIX e boleto.
Pagamentos globais: quem faz o quê
| Player | Alcance | POS presencial |
|---|---|---|
| Airwallex | 120+ países, 90 licenças | Lançado em 2026 (UK, Europa, Ásia) |
| Stripe | Líder em online, expansão internacional por aquisições | Stripe Terminal |
| Adyen | Infraestrutura global unificada, listada em bolsa | Unificado (online + loja) |
| Square (Block) | Integração hardware-software, foco em PMEs | Core business |
Panorama competitivo em pagamentos globais. Fonte: TechCrunch
A recusa de US$ 1,2 bi e a aposta em infraestrutura própria
Fundada em 2015 na Austrália, a Airwallex gastou uma década montando sua própria rede de pagamentos. Em 2019, a Stripe ofereceu US$ 1,2 bilhão para adquirir a empresa, que na época faturava apenas US$ 2 milhões por ano. O CEO Jack Zhang chegou a aceitar o acordo, mas recuou. “O que me fez mudar de ideia foi quando voltei a Melbourne e refleti sobre o que me motivou a criar a Airwallex”, disse Zhang ao TechCrunch. Hoje a empresa vale US$ 8 bilhões após captar US$ 330 milhões na Series G em dezembro de 2025.
O diferencial que Zhang defende é a rede de licenças locais. A Airwallex detém cerca de 90 licenças regulatórias em 50 mercados, com conexões diretas a redes de pagamento em mais de 120 países e liquidação em mais de 90 moedas. No Japão, por exemplo, uma licença que levou sete anos para obter permite que a empresa retenha e converta fundos localmente, algo que concorrentes como Stripe e Square não conseguem fazer no mesmo mercado. No Brasil, a empresa obteve licença do BC em janeiro de 2025 e planeja oferecer contas em real, PIX e boleto para clientes corporativos, mirando o gap entre a adoção de pagamentos digitais pelo consumidor e o atraso nos fluxos B2B cross-border.
O novo POS unifica pagamentos online e presenciais com relatórios consolidados e integração com sistemas de back office. Negócios que operam em vários países podem usar a mesma plataforma sem contratar adquirentes locais em cada mercado. O produto estreia no Reino Unido, Europa, Hong Kong e Singapura, com EUA e Austrália no roadmap. A Adyen, listada na bolsa holandesa, faz um argumento semelhante de infraestrutura global e é o concorrente mais direto nesse espaço.








