O Alipay+, da chinesa Ant International, integrou-se ao Transferencias 3.0, o esquema nacional de pagamento instantâneo por QR da Argentina, e liberou o pagamento por celular a turistas asiáticos e europeus em milhões de lojas do país. O movimento aproxima a Ant das trilhas de pagamento instantâneo da América Latina, o mesmo terreno onde players brasileiros de Pix internacional já avançam.
A escala que o Alipay+ leva para a Argentina
| Métrica do Alipay+ |
Número |
| Contas de consumidores |
2 bilhões |
| Comerciantes conectados |
150 milhões |
| Carteiras e apps bancários parceiros |
50 |
| Esquemas nacionais de QR |
mais de 10 |
| Transações por dia |
20 milhões |
Escala global do Alipay+, da Ant International. Fonte: The Paypers
Como a China entra no QR instantâneo da Argentina
O Transferencias 3.0 é a infraestrutura interoperável de pagamento instantâneo criada pelo banco central argentino (BCRA): o consumidor paga com qualquer carteira ou app participante ao ler um único QR. A integração foi viabilizada pela fintech PVS, que faz a ponte entre os aplicativos parceiros do Alipay+ e a rede de comerciantes locais.
Segundo Weixiao Jiang, gerente-geral para Norte da Ásia e Américas do Alipay+, ao conectar viajantes a uma ampla rede de lojas a companhia espera “ajudar a impulsionar os gastos dos visitantes que chegam, apoiando a economia de turismo do país e trazendo mais oportunidades para os negócios locais” (em tradução livre). A presença da Ant no país não é nova: a empresa patrocina a seleção argentina de futebol desde março de 2026, e o pagamento por aproximação da Ant, via Mastercard, já cobre Argentina, Brasil e México.
O corredor latino-americano de pagamento por QR
A entrada do Alipay+ na Argentina começou pela parceria com a PVS anunciada em maio de 2026, que também alcança o Chile. É o mesmo corredor disputado por empresas brasileiras: a PagBrasil expande o Pix no Chile com maquininhas de aceitação local, e o Pix internacional mira a América Latina. De um lado, carteiras asiáticas com 2 bilhões de contas buscando o gasto do turista; do outro, o Pix cruzando fronteiras a partir do Brasil.
A Ant chega com peso: além dos 150 milhões de comerciantes e das 20 milhões de transações diárias da rede, o grupo Alipay e a WeChat somam mais de 1 bilhão de usuários em suas plataformas na China. Levar essa base para esquemas nacionais de QR na América Latina é a aposta de fundo do movimento.
O que observar
O ponto a acompanhar é quem captura a margem do gasto do turista estrangeiro nos esquemas nacionais de pagamento instantâneo da região. Adquirentes e provedores de aceitação locais ganham volume ao conectar carteiras internacionais, mas passam a dividir a relação com o consumidor final com plataformas globais que trazem a base de usuários pronta. Vale observar se a interoperabilidade entre carteiras asiáticas e os QR nacionais latino-americanos redesenha a cadeia de aceitação cross-border.
A pergunta seguinte é sobre o próprio corredor: se os esquemas nacionais de pagamento instantâneo da região começam a se conectar a redes internacionais de turismo, o teste será medir se o volume de visitantes justifica a integração para os comerciantes de menor porte, ou se o benefício se concentra em polos turísticos. O ritmo dessa expansão em fases, mercado a mercado, dirá quanto do potencial vira transação de fato.
Fontes: Finextra • The Paypers • IBS Intelligence