O conhecimento dos brasileiros sobre bancos e carteiras digitais quase dobrou em quatro anos, de 23,9% para 45,6%, segundo a 9a edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Anbima com o Datafolha que ouviu 5.832 pessoas em novembro de 2025. O avanço, porém, coexiste com um recuo na abertura de contas digitais no último ano.
Contas por geração (2025)
| Geração |
Banco tradicional |
Banco digital |
| Gen Z (16-29 anos) |
67% |
66% |
| Millennials (30-44) |
77% |
48% |
| Gen X (45-64) |
76% |
24% |
| Boomers+ (65+) |
75% |
7% |
Percentuais não excludentes: mesma pessoa pode ter conta em mais de um tipo. Fonte: Anbima/Datafolha
O avanço digital tem limite geracional
Nove em cada dez brasileiros têm ao menos uma conta ativa, segundo a pesquisa. Bancos tradicionais continuam como porta de entrada principal, com 73,67% da população bancarizada. Bancos e carteiras digitais, que vinham crescendo na série histórica, recuaram de 43,78% em 2024 para 38,87% em 2025. O reconhecimento espontâneo de bancos tradicionais também subiu, de 78% em 2022 para 91,5% em 2025.
O corte geracional revela a fratura. A Geração Z é a única faixa com empate técnico entre tradicional e digital: 67% contra 66%. Entre millennials, o modelo é híbrido, com 77% em bancos tradicionais e 48% em digitais. A partir da Geração X, o digital perde tração: 24% têm conta digital, contra 76% em tradicionais. Entre boomers acima de 65 anos, o índice de contas digitais cai a 7%. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, o cofundador da NG.Cash, conta digital voltada para o público de 16 a 24 anos, argumentou que capturar o primeiro relacionamento financeiro de um jovem cria vantagem de longo prazo. Os dados da Anbima agora quantificam esse padrão: a Gen Z é a única faixa com empate técnico entre os dois modelos.
Pesquisa traz recortes inéditos sobre fraudes e IA
A 9a edição do Raio X é a primeira a incluir um bloco sobre fraudes financeiras: 34% dos brasileiros já foram expostos a golpes como links falsos, sites fraudulentos e engenharia social. A pesquisa também mapeia pela primeira vez o uso de inteligência artificial como fonte de informação para decisões financeiras. Os dados completos serão apresentados em reunião aberta da Anbima no dia 23 de abril.
“As pessoas estão mais expostas ao universo digital e, ao mesmo tempo, mais atentas às diferentes formas de acessar serviços. Esse movimento amplia as opções e fortalece a inclusão”, disse Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, ao TI Inside. A própria Anbima tem monitorado a ascensão dos finfluencers, cuja audiência cresceu 300%, mas apenas 1 em 10 possui certificação da entidade. A pesquisa anterior da entidade, a 8a edição, já havia mostrado que CDB e FIDC lideraram os investimentos em 2025, com 37% da população aplicando em algum produto financeiro.
O que observar
O recuo nas contas digitais entre 2024 e 2025, de 43,78% para 38,87%, acontece num momento em que o reconhecimento dessas instituições segue subindo. Uma hipótese é que a fase de experimentação massiva tenha dado lugar à consolidação: quem abriu conta digital por curiosidade pode ter deixado de usá-la, enquanto usuários engajados mantêm relacionamento ativo. Se essa leitura se confirmar, a métrica relevante passa a ser atividade por conta, não quantidade de contas abertas.
O empate técnico na Geração Z entre bancos tradicionais e digitais sugere que a disputa pelo primeiro relacionamento financeiro está em aberto. Fintechs que conseguirem se posicionar como produto de identidade, e não apenas como serviço bancário, podem ter vantagem estrutural com essa faixa etária. Vale acompanhar se a apresentação completa da Anbima em 23 de abril trará dados sobre quais instituições específicas capturam os jovens que estão chegando ao sistema financeiro pela primeira vez.
Fontes: TI Inside • Anbima • InfoMoney • Let’s Money Podcast — NG.Cash: O Banco da Nova Geração