A Ant Group, conglomerado chinês dono do Alipay, lançou a Anvita, plataforma que permite a agentes de IA deter ativos, executar transações e liquidar pagamentos em criptomoedas com pouca ou nenhuma intervenção humana. O anúncio foi feito no Real Up summit, em Cannes, e posiciona a Ant na corrida global por infraestrutura financeira para agentes autônomos.
Anvita: os dois produtos da plataforma
| Produto |
Função |
Público |
| Anvita TaaS |
Tokenização de ativos reais (RWA), custódia e ferramentas de tesouraria |
Instituições financeiras |
| Anvita Flow |
Registro, coordenação de tarefas e liquidação de pagamentos entre agentes de IA em tempo real |
Operadores de agentes autônomos |
Fonte: PYMNTS / CoinDesk
De tokenização estática para economia agêntica on-chain
“RWA puro é apenas a infraestrutura estática de ativos digitais. A transformação real está em avançar para uma economia agêntica on-chain, onde agentes autônomos não apenas analisarão dados, mas deterão ativos, executarão trades e otimizarão portfólios”, disse Zhuoqun Bian, presidente de blockchain da Ant Digital Technologies. A Anvita Flow integra o protocolo x402, desenvolvido por Coinbase e Cloudflare, que permite pagamentos em stablecoin diretamente via HTTP, eliminando a necessidade de sistemas de billing tradicionais.
O Alipay já processou mais de 120 milhões de transações com IA em uma única semana, sinalizando que a Ant trata inteligência artificial como infraestrutura central, não como experimento. Agora, com a Anvita, o grupo expande essa lógica para agentes que operam com autonomia financeira. A Ant Digital busca licenças de stablecoin em Hong Kong, Singapura e Luxemburgo, além de integração com USDC via Circle.
Quem disputa os trilhos cripto para agentes de IA
A Anvita entra num mercado onde os maiores players de pagamentos já se movimentaram. A Visa lançou agentes de IA para pagamentos corporativos e criou o Trusted Agent Protocol, focado em checkout via bandeira. A Coinbase opera o x402, voltado para micropagamentos em stablecoin. O Google estreou o Agent Payments Protocol em setembro de 2025. E a Mastercard comprou a BVNK por US$ 1,8 bilhão, o maior deal de infraestrutura de stablecoin já registrado, para conectar trilhos on-chain com sua rede global de pagamentos.
O diferencial da Ant é combinar tokenização institucional (TaaS) com uma camada de coordenação entre agentes (Flow) numa única plataforma. Enquanto Visa e Mastercard adaptam trilhos existentes para agentes, e Coinbase constrói nativamente em cripto, a Ant opera na interseção: infraestrutura para ativos reais tokenizados que agentes autônomos podem movimentar.
O que observar
A entrada de um conglomerado com 1,3 bilhão de usuários redefine a escala potencial dessa corrida. Diferentemente de startups que constroem do zero, gigantes de pagamento asiáticos trazem relacionamento institucional e base instalada que aceleram adoção. A pergunta é se o modelo de economia agêntica on-chain ganha tração institucional antes que os reguladores definam regras claras para participantes não humanos em transações financeiras. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, Gabriel Pereira e Julio, fundador da Muevy, já discutiam que agentes de IA executariam compras de forma autônoma, com o pagamento acontecendo sem ação direta do usuário.
Vale acompanhar se a integração com x402 e a busca por licenças de stablecoin em três jurisdições sinalizam que a Ant pretende operar globalmente, não apenas nos mercados asiáticos onde já domina. Para provedores de infraestrutura financeira, o movimento sugere que a tokenização de ativos reais e a economia de agentes autônomos estão convergindo mais rápido do que o esperado, forçando uma decisão entre adaptar trilhos legados ou construir nativamente em blockchain.
Fontes: PYMNTS • PYMNTS (M&A) • BitKE • Let’s Money Podcast – Pagamentos Internacionais com a Muevy