A Apple sinalizou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que aceita firmar acordo para liberar o Pix por aproximação no iPhone sem cobrar taxa das instituições financeiras. A informação foi divulgada pela coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, e reportada por Olhar Digital nesta segunda-feira (8). É a primeira sinalização pública de flexibilização da fabricante em uma investigação aberta pelo Cade em abril de 2025.
O que muda com o acordo proposto
Segundo a coluna, a Apple aceitaria celebrar um acordo formal com o Cade que permitiria às instituições financeiras oferecer o Pix por aproximação dentro de seus próprios apps, sem pagamento de comissão por transação à fabricante. A taxa cobrada pela Apple para acessar o chip NFC do iPhone era o principal obstáculo. Como o Pix é gratuito para o usuário final, bancos e fintechs consideravam inviável absorver o custo cobrado pela Apple para liberar a função.
Hoje, o Pix por aproximação já roda em Android pelas carteiras dos próprios bancos e por wallets de terceiros como a Samsung Wallet. No iPhone, o Apple Pay opera apenas com cartões de crédito e débito, conforme lembrou o MacMagazine ao comentar o relato do Globo.
De abril de 2025 à defesa de fevereiro de 2026
A investigação foi aberta pelo Cade em abril de 2025, após reclamações de bancos e fintechs sobre restrições de acesso ao chip NFC do iPhone. O PicPay foi um dos players que levou a denúncia à autoridade antitruste.
Em defesa enviada ao Cade em 13 de fevereiro de 2026, a Apple sustentou que a abertura forçada do chip não se justificaria. A fabricante afirmou que "o Pix por Aproximação não é uma prioridade clara nem uma demanda essencial dos consumidores no Brasil". A companhia também argumentou que "no Brasil, o iPhone responde por cerca de 10% do mercado de smartphones", defendendo que não há monopólio.
A Apple ainda atacou os reclamantes. Disse que "todas as empresas que defendem o acesso gratuito ou quase gratuito aos pagamentos por NFC no iOS […] têm um interesse econômico direto na redução de seus próprios custos", citando Nubank, Zetta, Mercado Pago, PicPay e PayPal. Levantou ainda risco de segurança: "abrir o acesso ao NFC sem critérios rigorosos poderia expor usuários a hackers e malware".
Os números que a própria Apple usou
Para tentar relativizar o caso, a Apple recorreu aos volumes da modalidade. Em sua defesa, citou que o Pix por aproximação somou 1,05 milhão de transações em janeiro de 2026, contra 2,7 bilhões do Pix por QR Code dinâmico no mesmo mês. A modalidade por NFC é recente: cruzou a marca de 1 milhão de transações apenas no início de 2026.
PIX POR MODALIDADE | JAN/2026
QR Code dinâmico dispara, aproximação engatinha
| Modalidade |
Transações em jan/2026 |
| QR Code dinâmico |
2,7 bilhões |
| Pix por aproximação |
1,05 milhão |
Dados citados pela Apple em defesa ao Cade em fevereiro de 2026. Fonte: Seu Dinheiro
O contraponto do MacMagazine
O MacMagazine contestou um trecho específico da coluna de Lauro Jardim. O jornalista escreveu que a Apple já permitiria o uso da tecnologia de dentro de seus aplicativos cobrando uma taxa por transação. O portal especializado afirmou: "Isso, contudo, não é verdade". Segundo a publicação, no Brasil "o Apple Pay, até hoje, funciona apenas com cartões de crédito ou débito", sem opção de Pix em nenhuma configuração disponível ao usuário.
O que observar
Acordo no Cade é instrumento mais comum em casos de conduta anticompetitiva do que processo levado até a sentença. Se a abertura do NFC vier por TCC (Termo de Compromisso de Cessação), a autoridade encerra o caso sem multa e a fabricante entra em regime de monitoramento. Vale acompanhar três pontos: (1) se o eventual acordo abrange só Pix por aproximação ou também outros usos do chip NFC por carteiras de terceiros; (2) se exige paridade técnica com Android; (3) se segue o caminho europeu, onde a abertura veio por força do Digital Markets Act.
Fontes: Olhar Digital • MacMagazine • Seu Dinheiro