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SegurançaInternacional · Deepfake

Regulador australiano tira 19,4 mil golpes do ar em um ano

Regulador da Austrália removeu 19,4 mil golpes online em um ano, alta de 182%. No Brasil, o uso de deepfake em crimes cresceu 830% entre 2024 e 2025.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

O regulador de valores mobiliários da Austrália tirou do ar mais de 19,4 mil golpes online no ano fiscal de 2026, alta de 182% sobre o ano anterior. O motor da escalada é a IA generativa, usada para montar redes de sites falsos e vídeos de celebridades. No Brasil, o uso de deepfakes em crimes cresceu 830% entre 2024 e 2025.

Balanço da Asic no ano fiscal de 2026

Indicador Dado
Golpes online removidos Mais de 19.400
Variação sobre o ano anterior Alta de 182%
Tipos incluídos na conta Sites falsos, anúncios em redes sociais, phishing e golpes com criptomoedas
Entre as figuras públicas mais imitadas (National Anti-Scam Centre) Anthony Albanese, Jacqui Lambie, Angus Taylor, Tom Piotrowski e Alan Kohler

Dados do ano fiscal de 2026. Fonte: Finextra

Como um deepfake vira uma rede inteira de golpes

A Asic, comissão de valores mobiliários da Austrália, afirma que a imitação de celebridades costuma ser apenas uma parte de uma estrutura maior, reforçada por sites clonados, avaliações falsas, notícias fabricadas e vídeos gerados por IA. Os criminosos também vêm explorando assuntos em alta no noticiário para tornar a abordagem mais crível.

“A presença de conteúdo polido, marca familiar ou depoimentos convincentes não significa que um investimento seja legítimo”, disse Sarah Court, presidente da Asic. Ela afirmou ainda que a IA está tornando os golpes de investimento mais convincentes e mais difíceis de detectar, e que uma simples busca online não basta para verificar se uma oportunidade é legítima. A recomendação do regulador é exigir o número da licença financeira e conferi-lo nos registros públicos gratuitos da própria autoridade.

A pressão sobre o setor financeiro australiano já vinha de outra frente. A Justiça federal do país multou o HSBC em A$ 35 milhões por falhas nos controles antigolpe, sanção que a própria Asic classificou como uma das primeiras do tipo no mundo. Do lado da defesa, provedores de verificação de identidade passaram a mirar deepfakes na abertura de contas.

Os golpes com deepfake no Brasil cresceram 830%

Dados da Polícia Federal citados pelo InvestNews mostram que 42,5% das fraudes financeiras registradas no país em 2025 já contaram com ferramentas de IA. O uso de deepfakes cresceu 830% entre 2024 e 2025, o que coloca o Brasil na liderança desse tipo de crime na América Latina, segundo a mesma reportagem.

A resposta brasileira anda por dois trilhos. Em maio de 2026, dois decretos criaram prazo de duas horas para plataformas removerem deepfakes. No sistema financeiro, o Banco Central planeja um score central de fraude para todo o Pix, calculado por machine learning e em tempo real para abastecer os antifraudes das instituições.

O que observar

A detecção do vídeo isolado resolve pouco diante da cadeia que o sustenta: anúncio patrocinado, site clonado, avaliação falsa e página de notícia fabricada. Vale acompanhar se os reguladores de valores mobiliários vão migrar da remoção caso a caso para exigências estruturais sobre plataformas de anúncios, que concentram a distribuição desse tipo de isca. A remoção resolve o sintoma, mas o custo de reconstruir a mesma rede com IA continua baixo.

Para instituições financeiras e provedores de verificação de identidade, a pergunta é outra: quanto do investimento antifraude segue concentrado no momento da abertura de conta, se parte relevante da perda ocorre em transferências autorizadas pela própria vítima depois de uma abordagem convincente. Se o índice central de fraude previsto para o Pix sair do papel, a comparação entre sinais de comportamento e sinais de identidade tende a ficar mais mensurável, e as áreas de prevenção passam a ter um parâmetro comum para calibrar bloqueios.

Fontes: FinextraInvestNews

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