A Avalara divulgou uma pesquisa global mostrando que a corrida das equipes financeiras para adotar agentes de IA está superando a governança, a responsabilização e os controles internos das empresas: só 7% priorizam governança em vez de velocidade. O relatório Agents of Change: How the Race to Deploy AI Agents is Outrunning Financial Governance ouviu mais de 1.500 CFOs e líderes seniores da área financeira dos Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Austrália que implantaram, testaram ou avaliaram agentes de IA em processos financeiros no último ano.
Segundo o levantamento, 92% dos entrevistados sentem pressão moderada ou significativa para demonstrar que os investimentos em agentes de IA estão gerando retorno sobre o investimento (ROI), metade delas classificada como significativa. Ao mesmo tempo, apenas 7% afirmam que suas organizações priorizam a governança em vez da velocidade de implantação.
A pesquisa da Avalara em números
| Indicador |
Dado |
| Amostra |
1.505 CFOs e líderes financeiros (EUA, Reino Unido, Índia e Austrália) |
| Priorizam governança sobre velocidade |
7% |
| Não atualizaram controles internos no último ano |
30% |
| Responsabilidade por erro grave incerta |
23% |
Coleta realizada entre 15 e 22 de junho de 2026. Fonte: Avalara
A pressão por ROI cresce mais rápido que os resultados
A cobrança para provar retorno domina o debate, mas os ganhos ainda não acompanham. Metade dos participantes afirma que suas iniciativas com agentes de IA entregaram, até o momento, apenas um ROI mensurável limitado. Além disso, 71% dizem que a pressão para implantação está concentrada principalmente na velocidade, em linha com um movimento mais amplo de aceleração da adoção de IA no setor financeiro.
Governança e controles ficam para trás
O descompasso aparece nos números de controle interno. A pesquisa mostra que 30% das empresas não atualizaram seus controles no último ano para refletir situações em que agentes de IA passaram a executar ou recomendar ações. Além disso, 44% afirmam ter apenas confiança moderada de que conseguiriam explicar as ações de um agente de IA a um auditor ou órgão regulador, um ponto sensível nas áreas tributária e de compliance, onde as decisões devem resistir à fiscalização.
“Os líderes financeiros estão certos em agir rapidamente para aproveitar as oportunidades oferecidas pela IA agêntica, mas velocidade sem responsabilidade cria novas formas de risco, e velocidade sem a revisão dos fluxos de trabalho limita o retorno sobre o investimento”, afirma Hugo Sarrazin, CEO da Avalara.
Quem responde pelo erro do agente
A pesquisa expõe uma lacuna de responsabilização. Quase um em cada quatro entrevistados, ou 23%, afirma que a responsabilidade por um erro grave cometido por um agente de IA seria incerta ou não recairia sobre nenhuma pessoa ou equipe específica. Outros 16% acreditam que o executivo que aprovou o investimento seria, em última instância, responsabilizado pessoalmente. O quadro se soma à falta de conhecimento especializado: 76% das organizações não contam com especialistas internos dedicados a compreender o funcionamento de seus agentes e dependem das equipes de TI ou dos fornecedores da tecnologia.
Para Frank Cirone, vice-presidente de Estratégia Comercial da Snowflake, a governança de agentes exige uma combinação nova de conhecimentos de negócio, inteligência artificial, tecnologia da informação e governança de dados, com regras claras sobre quando a aprovação humana é obrigatória, num debate que já discute se agentes de IA devem operar com permissões e não com conta própria.
O que aumenta a confiança das equipes
Os líderes financeiros não querem desacelerar a adoção, e sim expandi-la de forma responsável. Ao serem questionados sobre o que mais aumentaria sua confiança para ampliar o uso de agentes de IA, 27% citaram a operação desses agentes nos sistemas de registro já existentes. Entre as funcionalidades mais valiosas, 30% apontaram a documentação pronta para auditoria de todas as ações executadas e a mesma proporção destacou o monitoramento contínuo de mudanças regulatórias com atualizações em tempo real. “Governança e explicabilidade passarão a ser requisitos essenciais para a adoção da tecnologia”, afirma Jim Lundy, fundador, CEO e principal analista da Aragon Research.
O que observar
O levantamento interessa a líderes financeiros, auditores e reguladores que acompanham a entrada de agentes de IA em processos de compliance e tributação nos quatro mercados pesquisados. Vale observar se a atualização de controles internos e a definição de responsáveis avançam no ritmo da adoção, e se documentação pronta para auditoria e monitoramento regulatório contínuo se firmam como requisitos das áreas financeiras conforme o uso se amplia.
Fontes: Avalara: relatório Agents of Change • Avalara