O Banco da Amazônia fechou 2025 com lucro líquido de R$ 1,11 bilhão, queda de 2,4% em relação ao ano anterior. A inadimplência saltou de 2,15% para 4,67% sob o impacto das novas regras contábeis da Resolução CMN 4.966 e da pressão sobre o agronegócio, segundo o banco.
A Resolução CMN 4.966, em vigor desde 1º de janeiro de 2025, obrigou as instituições financeiras a calcular a provisão para perdas esperadas ao longo da vida do contrato, e não apenas a partir da inadimplência realizada. No Basa, isso se combinou com o ciclo negativo do agro e pressionou a PDD em 24,6%, para R$ 1,495 bilhão.
“As mudanças da 4.966 judiaram bastante de bancos com carteira mais longa e maior presença no agro, como é o nosso caso. Mudou como a gente coloca o crédito pra dentro, a esteira de cobrança, o processo de cura”, afirmou Luiz Lessa, presidente do Basa. O executivo disse que o banco já revisou processos de cobrança e que vê “sinais de uma inadimplência mais comportada”.
Lessa evitou dizer que o agro chegou ao fundo do poço, ponderando que a guerra no Irã ainda pesa sobre o setor. “Continuamos com uma luz laranja, tendendo pro vermelho, no agro. Estamos acompanhando dia a dia”, disse. O Banco do Brasil vê inadimplência rural em 6% e avalia estender prazos, em movimento paralelo de alívio ao setor.
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Diversificação de receita e follow-on em discussão
O plano de transformação do Basa tenta reduzir a dependência do crédito, ampliando seguros, consórcio, cartão, investimentos e adquirência. Nessa última frente, o banco opera com a Asap Tech, que tinha a Entrepay entre seus provedores. Com a liquidação extrajudicial da Entrepay pelo BC, as maquininhas do Basa tiveram parada operacional na troca de fornecedor. Lessa diz que a rede deve estar 100% normalizada na próxima semana e que o banco quer fechar 2026 com 26 mil terminais na praça, ante 3,2 mil atuais.
A modernização do core bancário, com primeira fase prevista para o meio do ano, deve viabilizar abertura digital de contas e acelerar a geração de crédito. A oferta subsequente de ações, estimada em R$ 2 bilhões, segue em discussão. “A não realização da oferta não nos restringe, podemos continuar crescendo, mas com ela conseguiríamos dar um passo mais largo”, disse o presidente. Ele afirmou que quer precificação diferenciada pelo viés ESG e que não aceita ser avaliado com os mesmos múltiplos do Banco do Brasil.
O que observar
A CMN 4.966 está no primeiro ciclo anual completo e o padrão do Basa, banco público com carteira longa e concentrada no agro, sinaliza o tipo de ajuste que bancos regionais e cooperativas com perfil similar devem enfrentar nos próximos balanços. Vale acompanhar se a reclassificação de ativos em estágio 2 e 3 vai continuar puxando PDD em instituições com forte exposição rural e carteiras de prazo longo, ou se o efeito se dilui ao longo de 2026 com o amadurecimento dos modelos de perda esperada.
No flanco comercial, a ambição de multiplicar por oito a base de maquininhas testa a capacidade de adquirentes de nicho em manter continuidade operacional após eventos de estresse em provedores de infraestrutura. O episódio recente expôs um risco de contraparte relevante para bancos públicos e regionais que terceirizam processamento, e o mercado deve cobrar redundância de provedores como condição contratual.