Ir para o conteúdo

CréditoCrédito · banco do brasil

BB avalia estender prazos ao agro com inadimplência rural em 6%

Inadimplência rural do banco saltou para 6,09% no fim de 2025. Instituição já renegociou R$ 35,5 bilhões e avalia extensão de prazos a produtores.

por

· 2 min

Atualizado em

Foto: Shutterstock

O Banco do Brasil avalia estender prazos de empréstimos a produtores rurais para aliviar o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o setor, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. A inadimplência rural do banco saltou para 6,09% no fim de 2025, alta de 1,25 ponto percentual apenas no quarto trimestre.

Inadimplência do BB (acima de 90 dias)

Cenário do crédito rural

Fim de 2024 Fim de 2025
Geral 3,16% 5,17%
Rural 6,09%

Fonte: Banco do Brasil / Bloomberg Línea

R$ 35,5 bi renegociados e novos prazos em discussão

Segundo a Bloomberg, uma das opções em análise é estender os prazos dos empréstimos, permitindo que produtores adiem parte dos pagamentos para o fim dos contratos existentes. O banco já renegociou R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais em 2025 e solicitou ao Tesouro Nacional o adiamento de R$ 1,8 bilhão em pagamentos originalmente previstos para 2026-2027, postergando-os para 2029.

O banco, que recentemente reorganizou sua diretoria e trocou 12 executivos, negou oficialmente que haja “estudo e nem demanda que envolvam ações específicas para extensão de prazos por conta dos conflitos no Oriente Médio”. O agronegócio responde por cerca de um quarto do PIB brasileiro, e a inadimplência geral do BB acima de 90 dias subiu de 3,16% para 5,17% em um ano.

Regra do BC e choque duplo sobre o produtor

A pressão sobre o balanço do BB se agravou com uma regra do Banco Central implementada no ano passado, que exige provisionamento antecipado para perdas esperadas e proíbe o reconhecimento de juros sobre créditos inadimplentes. Para reforçar capital, o banco avalia mudanças no modelo de negócios de seguros e um possível IPO da unidade de cartões Elo, segundo a Bloomberg.

O Banco Central projeta um 2026 difícil para o produtor, com crédito caro e custos de produção pressionados pela alta das commodities energéticas. O conflito no Oriente Médio compromete o fluxo pelo Estreito de Ormuz e eleva o preço do diesel, encarecendo frete e insumos. Insumos agrícolas subiram após quatro trimestres consecutivos de queda nas cotações em reais.

O que observar

A tensão entre o que fontes revelam e o que a instituição oficialmente nega reflete a posição delicada de um banco estatal em ano eleitoral, num contexto em que o governo busca sinalizar proximidade com o agro. Se os prazos forem efetivamente estendidos, a pressão migra para o balanço: a nova regra do BC, que exige provisionamento antecipado, limita o espaço de bancos públicos para absorver adiamentos sem impacto no capital.

Produtores de médio porte, que não têm acesso a instrumentos sofisticados de hedge e dependem de financiamento público para custeio, são os mais vulneráveis ao choque duplo de energia cara e crédito restritivo. As próximas 12 semanas, segundo a Bloomberg, são a janela crítica de monitoramento: se a inadimplência rural continuar acelerando, a extensão de prazos pode deixar de ser opção e virar necessidade.

Fontes: Bloomberg LíneaCNN BrasilLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.