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RegulaçãoRegulação · Banco Central

Banco Central disponibiliza dados de consórcios em formato aberto

O BC passou a divulgar dados do Sistema de Consórcios em formato aberto e planeja atualização trimestral. Carteira do setor cresceu 19,5% em 2025.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Banco Central passou a divulgar os dados do Sistema de Consórcios no Portal de Dados Abertos, em formato estruturado e reutilizável. A mudança aposenta o relatório anual do setor e prepara terreno para atualizações trimestrais, num momento em que os consórcios crescem em ritmo de dois dígitos: a carteira do segmento avançou 19,5% em 2025.

Sistema de Consórcios: o que cresceu em 2025

Indicador Variação ante dez/2024
Recursos coletados no ano +17,3%
Recursos a coletar +31,2%
Carteira do segmento +19,5%
Cotas comercializadas +16,2%
Estoque de cotas ativas +12,9%

Dados consolidados de 2025, variação ante dezembro de 2024. Fonte: TI Inside

De relatório anual a dados abertos

A nova divulgação substitui o Panorama do Sistema de Consórcios, publicação anual que o BC editava para consolidar os números do setor, por um modelo centrado na disponibilização direta das bases que sustentam essas análises. Na prática, cidadãos, pesquisadores, empresas, imprensa e desenvolvedores passam a acessar as informações em formato aberto, passível de reutilização em estudos, visualizações e aplicações.

Segundo o Banco Central, a nova forma de divulgação “permite acesso mais tempestivo às informações e cria condições para ampliação gradual do conjunto de dados disponibilizados ao público”, afirmou a autoridade monetária. Além de novas séries e maior detalhamento ao longo do tempo, o BC prevê elevar a periodicidade dos dados de anual para trimestral.

Um setor que se digitaliza em expansão

A abertura chega num ciclo de crescimento disseminado entre os tipos de bem, com destaque para os consórcios de imóveis. O avanço acompanha um movimento de digitalização do segmento, historicamente dominado por administradoras ligadas a grandes bancos e concessionárias. Movimentos como a compra da ConKey pela Teddy, que criou uma vertical de consórcios com IA, mostram como novos entrantes tentam ocupar o espaço.

Do lado do atendimento e da originação, fintechs de consórcio digital vêm testando automação e inteligência artificial, caso da Klubi, que aplica IA com sotaques regionais no relacionamento com clientes. Para esses atores, dados públicos mais frequentes e granulares reduzem a assimetria de informação diante das administradoras tradicionais.

O que observar

A troca de um relatório anual por dados abertos com potencial atualização trimestral muda o ritmo de quem analisa o setor. Vale acompanhar se administradoras de consórcio, novos entrantes digitais e pesquisadores vão de fato construir ferramentas em cima dessas bases, ou se o acesso mais frequente fica restrito a um punhado de usuários avançados. O teste será a qualidade e a granularidade das séries: se o detalhamento por tipo de bem e por região se ampliar como o BC sinaliza, o dado aberto pode virar insumo competitivo, não só transparência.

Há ainda a pergunta sobre padronização. Dados abertos só geram comparabilidade quando vêm em estrutura estável ao longo do tempo, e a promessa de incorporar novas séries gradualmente pode conviver com quebras que dificultam séries históricas. Para o ecossistema de fintechs que aposta em consórcio como alternativa de crédito e poupança programada, a consistência dessas bases importa tanto quanto a frequência.

Fontes: TI InsideBanco Central, Portal de Dados AbertosLet’s MoneyLet’s Money

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