O Banco Central passou a divulgar os dados do Sistema de Consórcios no Portal de Dados Abertos, em formato estruturado e reutilizável. A mudança aposenta o relatório anual do setor e prepara terreno para atualizações trimestrais, num momento em que os consórcios crescem em ritmo de dois dígitos: a carteira do segmento avançou 19,5% em 2025.
Sistema de Consórcios: o que cresceu em 2025
| Indicador |
Variação ante dez/2024 |
| Recursos coletados no ano |
+17,3% |
| Recursos a coletar |
+31,2% |
| Carteira do segmento |
+19,5% |
| Cotas comercializadas |
+16,2% |
| Estoque de cotas ativas |
+12,9% |
Dados consolidados de 2025, variação ante dezembro de 2024. Fonte: TI Inside
De relatório anual a dados abertos
A nova divulgação substitui o Panorama do Sistema de Consórcios, publicação anual que o BC editava para consolidar os números do setor, por um modelo centrado na disponibilização direta das bases que sustentam essas análises. Na prática, cidadãos, pesquisadores, empresas, imprensa e desenvolvedores passam a acessar as informações em formato aberto, passível de reutilização em estudos, visualizações e aplicações.
Segundo o Banco Central, a nova forma de divulgação “permite acesso mais tempestivo às informações e cria condições para ampliação gradual do conjunto de dados disponibilizados ao público”, afirmou a autoridade monetária. Além de novas séries e maior detalhamento ao longo do tempo, o BC prevê elevar a periodicidade dos dados de anual para trimestral.
Um setor que se digitaliza em expansão
A abertura chega num ciclo de crescimento disseminado entre os tipos de bem, com destaque para os consórcios de imóveis. O avanço acompanha um movimento de digitalização do segmento, historicamente dominado por administradoras ligadas a grandes bancos e concessionárias. Movimentos como a compra da ConKey pela Teddy, que criou uma vertical de consórcios com IA, mostram como novos entrantes tentam ocupar o espaço.
Do lado do atendimento e da originação, fintechs de consórcio digital vêm testando automação e inteligência artificial, caso da Klubi, que aplica IA com sotaques regionais no relacionamento com clientes. Para esses atores, dados públicos mais frequentes e granulares reduzem a assimetria de informação diante das administradoras tradicionais.
O que observar
A troca de um relatório anual por dados abertos com potencial atualização trimestral muda o ritmo de quem analisa o setor. Vale acompanhar se administradoras de consórcio, novos entrantes digitais e pesquisadores vão de fato construir ferramentas em cima dessas bases, ou se o acesso mais frequente fica restrito a um punhado de usuários avançados. O teste será a qualidade e a granularidade das séries: se o detalhamento por tipo de bem e por região se ampliar como o BC sinaliza, o dado aberto pode virar insumo competitivo, não só transparência.
Há ainda a pergunta sobre padronização. Dados abertos só geram comparabilidade quando vêm em estrutura estável ao longo do tempo, e a promessa de incorporar novas séries gradualmente pode conviver com quebras que dificultam séries históricas. Para o ecossistema de fintechs que aposta em consórcio como alternativa de crédito e poupança programada, a consistência dessas bases importa tanto quanto a frequência.
Fontes: TI Inside • Banco Central, Portal de Dados Abertos • Let’s Money • Let’s Money