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PagamentosInternacional · América Latina

Banco Mundial mira US$ 280 bi em pagamentos digitais

Banco Mundial e IFC oferecem até US$ 700 mi em garantias e projetam US$ 280 bi a mais em pagamentos digitais com Visa e Mastercard em emergentes.

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Atualizado em

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Visa e Mastercard entraram em uma iniciativa de compartilhamento de risco do Banco Mundial para expandir pagamentos digitais em mercados emergentes. O braço de setor privado do grupo, a Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), vai oferecer até US$ 700 milhões em garantias e projeta um salto de US$ 280 bilhões em pagamentos digitais entre as instituições participantes.

Os números da iniciativa

Componente Valor
Garantias do IFC até US$ 700 mi
Facility da Mastercard US$ 500 mi
Risco compartilhado (Visa) ~US$ 200 mi em 5 anos
Aumento estimado em pagamentos ~US$ 280 bi
Novos usuários estimados 90 mi (39 mi mulheres)

Compromissos e estimativas do IFC. Fonte: Finextra

Como o Banco Mundial quer destravar cartões

O desenho ataca um gargalo específico: bancos e fintechs em vários desses mercados esbarram em exigências financeiras que limitam a participação nos ecossistemas globais de pagamento, o que deixa milhões de pessoas e comerciantes locais dependentes do dinheiro em espécie. Para reduzir esse atrito, o IFC assume parte do risco de liquidação de crédito das instituições que aderem, cobrindo uma fração das operações.

A Mastercard entra com uma linha de exposição de liquidação global de US$ 500 milhões, voltada a firmas de emergentes que operam em sua rede. No caso da Visa, o IFC deve bancar cerca de US$ 200 milhões em risco compartilhado ao longo de cinco anos. A prioridade inicial recai sobre 14 países latino-americanos e caribenhos, com cerca de 50 instituições de rating abaixo do grau de investimento no radar. As duas bandeiras vinham estreitando frentes conjuntas: em outubro, Visa e Mastercard criaram uma aliança de pagamento por agentes de IA ao lado de outras 24 empresas.

O que a iniciativa projeta

Pelas contas do próprio IFC, as instituições participantes devem ver os pagamentos digitais crescer cerca de US$ 280 bilhões, emitir 360 milhões de cartões a mais e ampliar em 90 milhões o número de usuários ativos, dos quais 39 milhões seriam mulheres. São estimativas, não resultados fechados, e dependem da adesão das instituições. “Expandir os pagamentos digitais em mercados emergentes é uma das ferramentas mais poderosas para criar empregos e trazer pessoas para a economia formal”, disse Makhtar Diop, diretor-geral do IFC.

O movimento se soma a outras apostas das bandeiras em mercados de baixa bancarização. A Mastercard, por exemplo, renovou uma parceria de pagamentos no Egito, enquanto casos como o do M-PESA, que chegou a 40 milhões de usuários no Quênia, mostram o tamanho da demanda por trilhos digitais fora dos grandes centros.

O que observar

O elo mais frágil da cadeia são as instituições financeiras de menor porte: sem rating de grau de investimento, elas encontram custo alto para entrar nas redes globais. Vale acompanhar se a garantia pública de fato muda a equação de risco a ponto de essas instituições emitirem cartões e adquirirem lojistas em escala, ou se a barreira apenas migra para outras etapas, como cadastro e compliance.

A pergunta que fica é sobre a conversão das estimativas em adesão real. Um foco inicial em poucos países sugere um piloto antes de qualquer expansão, e o teste será medir quantas instituições cruzam a linha de participação nos primeiros anos e quanto do volume projetado se materializa em transações efetivas.

Fontes: FinextraVisa

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