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Bancões caem para 57,1% no crédito; cooperativas avançam

BC mostra que Caixa, BB, Bradesco e Itaú detêm 57,1% do crédito e depósitos no 2S25, enquanto cooperativas sobem para 7,8% da carteira.

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Atualizado em

Foto de Towfiqu barbhuiya na Unsplash

Os quatro maiores conglomerados bancários (Caixa, BB, Bradesco e Itaú) perderam 0,8 ponto percentual no mercado de crédito e depósitos no segundo semestre de 2025, encerrando o período com 57,1% de participação. Cooperativas de crédito avançaram de 7,2% para 7,8% na carteira de crédito, e o segmento não bancário subiu de 2,6% para 3,0%, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira.

Participação dos 4 maiores no SFN (2S2025)

Conglomerado Crédito Depósitos Ativos
Caixa Econômica Federal 19,2% 14,4% 14,7%
Banco do Brasil 15,4% 14,3% 15,0%
Bradesco 11,3% 12,5% 11,4%
Itaú 11,2% 14,0% 13,0%
Total 57,1% 55,3% 54,1%

Participação no crédito, depósitos e ativos totais no 2S2025. Fonte: Valor Econômico

A divisão entre os quatro maiores

A Caixa Econômica Federal liderava a participação no crédito com 19,2% da carteira total, seguida pelo Banco do Brasil (15,4%), Bradesco (11,3%) e Itaú (11,2%). Nos ativos totais, o BB assumiu a dianteira com 15,0%, contra 14,7% da Caixa, 13,0% do Itaú e 11,4% do Bradesco. O REF é divulgado a cada seis meses e é o principal instrumento do BC para avaliar a solidez do Sistema Financeiro Nacional.

O avanço das cooperativas e do segmento não bancário foi observado em todos os agregados contábeis analisados. Em depósitos, o segmento cooperativo subiu de 7,5% para 7,9%; entre as instituições não bancárias, a participação em depósitos avançou de 3,0% para 3,7%. O movimento reflete crescimento relativo maior desses segmentos em comparação ao bancário tradicional. O risco de concentração no mercado financeiro tem sido acompanhado pelo BC desde ao menos 2025, quando o tema entrou na agenda regulatória.

Crédito desacelera com condições mais restritivas

O financiamento à economia real desacelerou no segundo semestre de 2025. “O enfraquecimento está em linha com as condições financeiras mais restritivas e com a moderação no crescimento da atividade econômica”, disse o Banco Central no relatório. No crédito às pessoas físicas, houve arrefecimento geral, com desaceleração das carteiras de maior risco e crescimento das de menor risco. Entre pessoas jurídicas, o crédito bancário desacelerou para empresas de todos os portes.

Um ponto de atenção do relatório é o crédito pessoal não consignado, que continuou crescendo a taxas elevadas, com aumento de operações sem garantia. O comprometimento de renda das famílias permaneceu em nível elevado, especialmente entre tomadores de menor renda. O consignado privado, que vinha ganhando espaço como alternativa de custo menor, não compensou a pressão nas linhas não garantidas. O BC projeta manutenção de ambiente de oferta restritivo no próximo trimestre.

O que observar

A queda gradual na participação dos maiores bancos não é nova, mas sua continuidade num período de juros elevados e crédito desacelerado merece atenção. Cooperativas e instituições não bancárias tendem a crescer relativamente mais nesse ambiente, pois operam com modelos de spread menor e maior fidelização. Vale acompanhar se esse padrão se sustenta num ciclo de oferta restritiva que o BC projeta para os próximos meses.

O crédito pessoal não consignado é o ponto de tensão mais explícito do relatório. O crescimento acelerado nessa modalidade, com operações sem garantia, sugere que parcela da demanda de famílias de menor renda não está sendo absorvida por linhas de custo mais baixo, como cooperativas ou consignado. A expectativa do BC é de que a materialização de risco nas carteiras de pessoa física continue pressionada no curto prazo, especialmente num cenário de arrefecimento da atividade.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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