As conversas entre bancos e governo sobre um novo programa de renegociação de dívidas ainda são incipientes, segundo fontes do setor bancário ouvidas pelo Valor Econômico. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com representantes do setor, mas nem todos os líderes convidados compareceram. Embora o governo queira uma definição em dez dias, o desenho do programa ainda não está claro.
Desenrola vs. novo modelo em discussão
| Aspecto | Desenrola | Novo programa |
|---|---|---|
| Modelo | Centralizado, plataforma única | Descentralizado, cada banco negocia |
| Descontos | Leilão com credores | Faixas por renda do devedor |
| Garantia | FGO | FGO (apetite do governo indefinido) |
| Implementação | Meses | Prevista como mais rápida |
Modelo preliminar em discussão. Fonte: Valor Econômico
Consolidação de cartão com desconto por renda
A ideia em discussão é consolidar dívidas de cartão de crédito com faixas de desconto que variam conforme a renda do devedor e o nível de garantia que o governo puder oferecer via Fundo Garantidor de Operações (FGO). “Quanto maior a cobertura, maior seria o desconto”, disse uma fonte ao Valor. Diferentemente do Desenrola, que levou meses para desenvolver a plataforma, o modelo atual prevê que cada banco faça a renegociação por conta própria, acelerando a implementação.
O pano de fundo é um endividamento recorde. Segundo a CNC, 80,2% das famílias brasileiras tinham alguma dívida em fevereiro de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2010. O número de inadimplentes chegou a 81,7 milhões, com 85% das famílias endividadas citando o cartão de crédito como principal tipo de dívida. Os juros do crédito seguem em patamares elevados, pressionando especialmente a população de baixa renda, onde 38,9% das famílias com renda de até três salários mínimos têm contas em atraso.








