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Bancos e governo ensaiam programa de renegociação de dívidas

Conversas sobre novo modelo de consolidação de dívidas de cartão são incipientes. Formato descentralizado e cobertura via FGO estão em discussão, com endividamento recorde de 80,2% das famílias.

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As conversas entre bancos e governo sobre um novo programa de renegociação de dívidas ainda são incipientes, segundo fontes do setor bancário ouvidas pelo Valor Econômico. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com representantes do setor, mas nem todos os líderes convidados compareceram. Embora o governo queira uma definição em dez dias, o desenho do programa ainda não está claro.

Desenrola vs. novo modelo em discussão

Aspecto Desenrola Novo programa
Modelo Centralizado, plataforma única Descentralizado, cada banco negocia
Descontos Leilão com credores Faixas por renda do devedor
Garantia FGO FGO (apetite do governo indefinido)
Implementação Meses Prevista como mais rápida

Modelo preliminar em discussão. Fonte: Valor Econômico

Consolidação de cartão com desconto por renda

A ideia em discussão é consolidar dívidas de cartão de crédito com faixas de desconto que variam conforme a renda do devedor e o nível de garantia que o governo puder oferecer via Fundo Garantidor de Operações (FGO). “Quanto maior a cobertura, maior seria o desconto”, disse uma fonte ao Valor. Diferentemente do Desenrola, que levou meses para desenvolver a plataforma, o modelo atual prevê que cada banco faça a renegociação por conta própria, acelerando a implementação.

O pano de fundo é um endividamento recorde. Segundo a CNC, 80,2% das famílias brasileiras tinham alguma dívida em fevereiro de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2010. O número de inadimplentes chegou a 81,7 milhões, com 85% das famílias endividadas citando o cartão de crédito como principal tipo de dívida. Os juros do crédito seguem em patamares elevados, pressionando especialmente a população de baixa renda, onde 38,9% das famílias com renda de até três salários mínimos têm contas em atraso.

Sem “canetada”, mas com olho nas bets

Fontes do setor financeiro dizem que estão dispostas a trabalhar com o governo e não veem a iniciativa como meramente eleitoreira. “Acho que o risco de uma canetada mais drástica no curto prazo é baixo, de quererem colocar novos tetos de juros. As áreas técnicas do governo entendem que isso teria um efeito inverso, de restringir a oferta de crédito”, disse outra fonte ao Valor.

Após a renegociação, a intenção é impedir que o devedor tome novos créditos por algum período, evitando reincidência. Também circulam relatos sobre eventuais medidas contra apostas esportivas (bets), diante do diagnóstico de que, na população de baixa renda, as apostas podem estar colaborando para o aumento do endividamento e da inadimplência bancária.

O que observar

O formato descentralizado acelera a execução, mas cria assimetria: bancos com maior apetite para renegociar podem ganhar clientes limpos, enquanto os mais conservadores ficam com a carteira inadimplente. A variável decisiva é o volume de aportes que o governo fará no FGO. Sem garantia robusta, os descontos ficam tímidos e o programa perde tração. Para fintechs e instituições de crédito digital, o programa pode gerar uma onda de consumidores recém-saídos do cadastro negativo, abrindo espaço para novas ofertas de crédito, mas também elevando o risco de reendividamento se a trava pós-renegociação não for operacionalizada de forma eficaz.

Fontes: Valor EconômicoCNC via Portal do ComércioExameLet’s Money

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