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Inteligência ArtificialIA · EY

3 em cada 4 bancos querem IA contra crimes financeiros

Estudo global da EY e do IIF com 101 bancos aponta que 75% planejam usar IA contra fraude e crimes financeiros. Qualidade de dados é o principal entrave.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Jefferson Santos na Unsplash

A maioria dos bancos já decidiu que a próxima linha de defesa contra a fraude será a inteligência artificial. Em levantamento global com 101 instituições de 31 países, 75% dos diretores de risco disseram que pretendem colocar IA para vasculhar transações em busca de sinais de lavagem e crimes financeiros. O estudo foi conduzido pela EY em parceria com o IIF, associação que reúne bancos de todo o mundo.

IA na gestão de riscos, na visão dos CROs

Indicador % dos bancos
Planejam usar IA contra fraude e crimes financeiros 75%
Pretendem usar IA em risco operacional e cibersegurança 72%
Apontam qualidade dos dados como principal desafio 80%
Citam segurança e privacidade dos dados como barreira 67%
Já colhem benefícios de casos de uso implementados 12%

Estudo global EY/IIF com 101 bancos de 31 países, 2026. Fonte: TI Inside

A corrida por IA contra crimes financeiros

O avanço acompanha a alta das ameaças. Na mesma pesquisa, a preocupação com crimes financeiros saltou para 43%, ante 23% um ano antes, enquanto a fraude digital subiu de 23% para 59%, segundo a EY. Diante do volume de transações, a triagem apenas humana deixou de dar conta.

Para Natalia Grigolin, sócia da EY Brasil, a conta não fecha mais no braço. “Por causa do alto e crescente volume de transações, fazer isso apenas com análise humana tornou-se impossível”, afirmou. Segundo ela, autoridades no mundo todo já estimulam o uso da tecnologia para filtrar indícios e apontar comportamentos atípicos. O movimento não é isolado: no Reino Unido, o regulador passou a oferecer dados sintéticos para treinar sistemas antilavagem, e no Brasil bancos e instituições de pagamento lideram o investimento contra fraudes.

O gargalo é dado, não algoritmo

Se a intenção é ampla, a entrega ainda engatinha. O obstáculo mais citado não é o modelo, e sim o insumo: para 80% dos executivos, o ponto fraco está na qualidade e no acesso aos dados. Logo atrás aparecem a proteção e o sigilo dessas informações, lembrados por 67%, e o déficit de repertório técnico em IA, apontado por 54%. Só 12% afirmam já extrair valor de projetos em produção, grupo concentrado nas instituições de maior porte.

O medo de que os modelos alucinem está no centro do debate. “A supervisão humana dos agentes de IA é necessária, motivo pelo qual o primeiro passo na implementação dos agentes é criar governança robusta”, disse Andrei Graça, sócio da EY Brasil responsável por IA e dados. Ferramentas que colocam agentes de IA para investigar crimes financeiros e casos em que a IA supera analistas humanos na detecção de fraude já existem, mas dependem dessa camada de controle.

Bancos grandes já sinalizam o caminho. Em entrevista ao podcast Let’s Money durante o AWS Symposium de outubro de 2025, Carlos Mazzei, CTO do Itaú, descreveu o Responsible AI como um investimento deliberado do banco antes de escalar qualquer solução, e resumiu a estratégia como “separar o ruído do sinal”.

O que observar

O intervalo entre intenção e produção é o dado mais revelador da pesquisa. A maioria das instituições financeiras ainda está estruturando governança e mapeando casos de uso, e a qualidade dos dados aparece como o verdadeiro fator limitante, à frente da tecnologia em si. Vale acompanhar se as instituições de maior porte, que concentram a experimentação, conseguem transformar pilotos em ganho mensurável de detecção sem abrir mão da supervisão humana. O ritmo dessa transição pode redefinir quem reduz perdas com fraude e custo de compliance nos próximos ciclos.

Fontes: TI InsideEYLet’s Money Podcast: Carlos Mazzei (Itaú)

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