Bancos e fintechs brasileiros estão transformando patrocínios esportivos em plataformas de acesso à alta renda. XP, BTG Pactual, Itaú e Nubank investem em tênis, ciclismo, Fórmula 1 e futebol americano para se conectar com clientes que, além de investidores, são praticantes amadores.
Territórios esportivos dos bancos
| Banco |
Esporte |
Ativos principais |
| Itaú |
Tênis |
Miami Open (desde 2014), Alcaraz, Bia Haddad |
| XP |
Tênis, NFL, corrida |
Rio Open, João Fonseca, NBA House, XP Live! |
| BTG Pactual |
Ciclismo |
Ciclovia Rio Pinheiros, Giro d’Italia, La Vuelta BR |
| Nubank |
Futebol, F1, triatlo |
Nu Stadium (Inter Miami), Mercedes F1, IronMan |
Fonte: Bloomberg Línea
XP e BTG disputam novos territórios esportivos
Na XP, o fundador Guilherme Benchimol é o principal fiador dos patrocínios. O apoio ao tenista João Fonseca começou quando ele tinha 17 anos, após Benchimol assistir a uma partida em Wimbledon. A empresa estreou como patrocinadora do Rio Open em fevereiro e, segundo pesquisa interna com cerca de 10 mil clientes, 84% assistem a esportes e 78% praticam. “O que pensamos é como criar múltiplas experiências para impactar o máximo de pessoas”, disse Lisandro Lopez, CMO da XP.
O BTG Pactual escolheu o ciclismo. O banco patrocinou a Ciclovia do Rio Pinheiros (22,2 km revitalizados), somando ao Giro d’Italia Ride Like a Pro, a BTG Bike Series e a La Vuelta Desafío Brasil. “Percebemos que o ponteiro começa a mexer, às vezes, um ano depois”, disse André Kliousoff, CMO do BTG.
Patrocínios esportivos como ferramenta de aquisição
O Itaú, que patrocina o Miami Open há mais de uma década, convidou 4.794 clientes para o torneio em 2026, 5% a mais que no ano anterior. O Nubank, por sua vez, apostou em escala global: fechou naming rights do estádio do Inter Miami, parceria com a Mercedes na Fórmula 1 e assumiu o IronMan no Brasil. “O esporte virou uma plataforma muito eficiente de relacionamento, porque cria comunidade, pertencimento e experiências difíceis de replicar em outros ambientes”, disse Ivan Martinho, professor de Marketing Esportivo na ESPM.
Na XP, a mensuração já avança: a empresa rastreia quantos cartões são emitidos durante janelas de pré-venda de ingressos e calcula o custo de aquisição por cliente (CAC) vinculado a cada evento. “Como consigo tirar da equação muitos valores racionais, a discussão do intangível é muito menor”, disse Lopez. O número de inscrições em competições esportivas saltou de 1,8 milhão para 2,9 milhões entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Ticket Sports.
O que observar
A corrida por patrocínios esportivos revela uma mudança de paradigma: instituições financeiras deixam de competir por visibilidade de marca e passam a disputar acesso à comunidade da alta renda. A segmentação por esporte funciona como proxy de posicionamento, com cada ativo atraindo perfis distintos de cliente. Vale acompanhar se a sobreposição de territórios, com duas instituições agora no tênis, pressiona os custos de patrocínio e força diferenciação por ativação, não por exclusividade.
Fontes: Bloomberg Línea • Mobilidade Sampa • Let’s Money