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Bancos pressionam governo por volta da antecipação do FGTS

ABBC e Zetta contratam pesquisa para reverter mudanças que derrubaram originação em 80% desde novembro

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· 2 min

Atualizado em

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Zetta contrataram a AtlasIntel para realizar uma pesquisa sobre a antecipação do FGTS. O objetivo é pressionar o governo federal a rever as restrições impostas pelo Conselho Curador do FGTS, que entraram em vigor em novembro de 2025 e derrubaram a originação em mais de 80%. A Zetta representa fintechs como Nubank e Mercado Pago.

O levantamento mostra que 90% dos usuários da modalidade são contrários ao fim da antecipação. Além disso, 70% dos que conhecem o produto consideram prejudiciais as medidas implementadas pelo governo.

Mudanças inviabilizaram o mercado

Antes das alterações, o mercado originava quase R$ 3 bilhões por mês. Em novembro de 2025, esse volume caiu para R$ 600 milhões. A projeção é que em dezembro de 2026 recue para R$ 210 milhões, uma queda de 93%.

Alex Gonçalves, diretor de crédito consignado da ABBC, alerta que as mudanças inviabilizaram a linha. “Tínhamos quase R$ 36 bilhões de crédito originado por ano que vai para zero”, afirma. Ele destaca que o impacto negativo supera até mesmo o efeito positivo da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, estimado em R$ 32 bilhões.

Piso de R$ 100 é o principal vilão

Segundo a ABBC, o limite mínimo de R$ 100 por parcela responde por 78 pontos percentuais da queda de 80% na originação. As entidades têm conversado com a Casa Civil e os Ministérios da Fazenda e do Trabalho para rever essa regra.

As mudanças incluem ainda limite de cinco parcelas antecipadas (reduzindo para três em novembro de 2026), teto de R$ 500 por parcela, apenas uma operação ativa por trabalhador e carência de 90 dias. Conforme reportagem do Valor Econômico, o governo demonstrou preocupação, mas ainda não sinalizou revisão efetiva.

A pesquisa revela que 70% dos usuários utilizam o dinheiro para pagar dívidas urgentes, 28,1% para despesas médicas e 7,1% para compra de alimentos. Nenhum entrevistado indicou uso em apostas online. Eduardo Lopes, presidente da Zetta, defende que a antecipação “cumpre um papel essencial na vida financeira dos brasileiros”.

Para mais informações sobre crédito consignado e outras modalidades, confira as matérias sobre crédito e regulação no Let’s Money.

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