Dezessete instituições financeiras do Reino Unido, entre elas Lloyds, Barclays, London Stock Exchange e Nationwide, assinaram o Skills Compact, pacto de IA e requalificação apoiado pelo governo que cobre 500 mil trabalhadores. Cada signatária se comprometeu a treinar e certificar suas equipes no país em até cinco competências críticas, com inteligência artificial obrigatória na lista.
Como o pacto de IA vai funcionar
Os planos são renováveis a cada três anos e o progresso será acompanhado ano a ano, com pelo menos um executivo sênior responsável pelo programa em cada empresa. As signatárias vão reportar o avanço anualmente ao Tesouro e à Financial Services Skills Commission (FSSC), entidade setorial que lidera a iniciativa. O treinamento precisa acontecer dentro do horário de trabalho, e recém-formados e aprendizes não contam para as metas, segundo apuração da agência PA.
A chanceler Rachel Reeves deve anunciar a formação do pacto nesta terça-feira (14) em seu discurso anual no Mansion House. Além das 17 confirmadas, a expectativa é chegar perto de 20 signatárias no lançamento, com Fidelity, Standard Chartered e Zopa também na lista. “O Skills Compact vai definir ações direcionadas, significativas e ambiciosas para enfrentar lacunas de competências, inclusive por meio de investimento mais estratégico em competências críticas e em caminhos de entrada para as empresas de serviços financeiros”, disse Rachel Blake, secretária econômica do Tesouro britânico, em tradução livre.
Skills Compact: o que cada signatária assume
Signatárias confirmadas
17
Trabalhadores cobertos
Meio milhão
Ciclo de planejamento
Planos renováveis de 3 anos
Competências por plano
Até 5, com IA obrigatória
Prestação de contas
Reporte anual ao Tesouro e à FSSC
Compromissos das signatárias do Skills Compact britânico. Fonte: PA Media, via AOL
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A corrida dos bancos pela requalificação
O pacto chega com os bancos europeus já despejando bilhões de euros em IA, segundo a Finextra. Estudo da Visa Consulting and Analytics citado pela publicação indica que a disrupção deve acelerar à medida que as instituições saem da fase de experimentação para a execução, com a tecnologia reformulando o banco de varejo até 2030. No Reino Unido, o movimento já aparece nas contratações: o Lloyds abriu 300 vagas em IA agêntica no país, e o Barclays investiu em uma plataforma de IA para bancos.
O outro lado da conta é o emprego. A iniciativa nasce em meio a mudanças tecnológicas que alimentam temor de demissões em massa no setor, como registra a própria Finextra. Fora do Reino Unido, a PayPal prevê corte de 4,5 mil empregos em reestruturação na qual admitiu atraso na adoção de IA.
Em entrevista ao podcast Let’s Money em outubro de 2025, durante o AWS for Financial Services Symposium Brasil, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, defendeu que a tecnologia amplia a capacidade de quem trabalha: “Os trabalhadores estão virando trabalhadores biônicos […] conseguem usar a inteligência artificial para serem muito mais produtivos”. A lógica do pacto britânico segue direção parecida: requalificar em escala quem já está dentro das instituições.
O que observar
O desenho do pacto transfere aos conselhos das instituições metas de requalificação auditáveis ano a ano, e a pergunta é se o modelo voluntário anda na velocidade da adoção da tecnologia. Vale acompanhar se bancos globais e instituições de médio porte vão priorizar requalificar equipes internas ou contratar profissionais prontos no mercado, se certificações setoriais viram critério de contratação, e se governos de outros mercados replicam o formato de compromisso com reporte anual. O primeiro ciclo de relatórios deve dar a medida de quanto disso sai do papel.