Bancos do Reino Unido se uniram em um esquema oficial de pagamentos para concorrer com Visa e Mastercard. O UK Payments Initiative (UKPI), bancado pelos quatro maiores bancos do país e por 27 fintechs e participantes do mercado, foi ao ar hoje com transferências conta-a-conta reguladas pela FCA, atacando os 95% que as bandeiras americanas processam em cartão no país.
Quem está dentro do UK Payments Initiative
| Categoria |
Participantes |
| Grandes bancos UK |
Barclays, NatWest, Lloyds, HSBC |
| Challenger e médios |
Nationwide, Monzo, Revolut, Starling, Santander |
| Provedores de pagamento |
GoCardless, Wise, TrueLayer |
| Pilotos do Bank on File |
Trading 212, IG Group, InvestEngine, East Lothian Housing |
Composição do UKPI e pilotos do Bank on File da TrueLayer. Fonte: Finextra
Pix mostra o caminho que o Reino Unido só agora segue
O UKPI estabelece um rulebook compartilhado, modelo comercial e padrões operacionais para pagamentos conta-a-conta flexíveis, automatizados ou recorrentes via open banking. É a primeira vez que os maiores bancos britânicos formalizam uma infraestrutura nacional para isso. No Brasil, a mesma lógica opera desde novembro de 2020 com o Pix, e desde 2025 com Pix Automático, que já habilita cobrança recorrente sem autenticação a cada operação.
“This is about creating a payment model that works better for everyone”, afirmou Richard Koch, managing director do UKPI, em comunicado oficial. O Pay by Bank, categoria que engloba esses pagamentos, hoje responde por até 17% do valor de transação de ecommerce europeu, segundo dados do mercado citados pela Finextra. Amazon e eBay habilitaram a opção este ano. Pesquisa do setor mostra que 41% dos usuários querem pagar com Pay by Bank fora do varejo. No Brasil, iniciadores já lideram a adoção de pagamentos via Open Finance.
O que Visa e Mastercard perdem com o Bank on File
A TrueLayer aproveitou o lançamento do UKPI para colocar no ar o Bank on File, produto que autoriza pagamentos recorrentes direto da conta bancária. É a primeira vez que essa modalidade fica disponível em escala no Reino Unido. Trading 212, IG Group, InvestEngine e East Lothian Housing Association estão entre os primeiros usuários. Na prática, o produto substitui cartão-em-arquivo e débito direto em assinaturas, recargas e cobranças recorrentes.
O movimento ataca onde os cartões mais lucram: pagamentos recorrentes com taxa de interchange embutida. A Visa estreou em novembro seu próprio piloto de pagamentos A2A recorrentes no Reino Unido, e a eBay já comprou participação na TrueLayer no início do ano. Sinal de que o jogo começou antes do lançamento oficial: em maio, 31 firmas concordaram em colocar funding inicial para o esquema.
O que observar
O teste será operacional. Esquemas nacionais de pagamentos conta-a-conta na Europa não conseguiram, até agora, escalar além de pagamentos one-off. Quando os primeiros pilotos de pagamentos recorrentes via conta saírem do papel, a fricção de consentimento vira o ponto crítico: é o gargalo que freia adoção em todo open banking europeu, especialmente quando a autenticação precisa ser refeita a cada cobrança.
No Brasil, o Pix Automático mostra que recorrência funciona quando o consentimento está embutido no fluxo do produto, não em camada à parte. Para as bandeiras internacionais de cartão, a pergunta é se o movimento britânico acelera planos defensivos em outros mercados europeus que ainda dependem dos cartões para a maior parte das transações, ou se o ecossistema reage com pilotos isolados que perdem velocidade na transição para escala.
Fontes: Finextra • The Fintech Times • Let’s Money: Visa estreia pagamentos A2A no Reino Unido • Let’s Money: eBay investe na TrueLayer • Let’s Money: Iniciador lidera pagamentos via Open Finance