O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 221,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 66,3% frente ao quarto trimestre de 2025 e de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) caiu para 7,9%, ante 23,8% no trimestre anterior e 9,3% no 1T25, pressionado por provisões para perdas de crédito e pela aceleração da inadimplência.
Banrisul: Indicadores 1T26
| Indicador |
1T26 |
Var. trim. |
Var. a/a |
| Lucro líquido |
R$ 221,6 mi |
-66,3% |
-8,2% |
| ROAE |
7,9% |
-15,9 pp |
-1,4 pp |
| Inadimplência |
4,81% |
+0,63 pp |
+1,96 pp |
| Margem financeira |
R$ 1,735 bi |
+7,3% |
+12,5% |
| Provisões (perda) |
R$ 542,5 mi |
-7,2% |
+62,1% |
| Carteira de crédito |
R$ 64,3 bi |
-1,1% |
+1,3% |
Balanço do Banrisul referente ao primeiro trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
Margem avança, mas provisões consomem o resultado
A margem financeira alcançou R$ 1,735 bilhão, alta de 7,3% no trimestre e de 12,5% em 12 meses, impulsionada pelo reposicionamento do mix de produtos com spreads mais altos. As receitas de prestação de serviços somaram R$ 525,2 milhões, recuo de 5,7% no trimestre e avanço de 0,7% no ano. As despesas administrativas ficaram em R$ 1,233 bilhão, queda de 8,1% no trimestre e alta de 6,4% frente ao mesmo período de 2025.
O que pesou foram as despesas de provisão para perdas de crédito: R$ 542,5 milhões no trimestre, alta de 62,1% em 12 meses, ainda que tenham caído 7,2% na comparação com o 4T25. O banco atribuiu o resultado ao “incremento das operações em atraso em um cenário de aumento da carteira de crédito”. No mesmo período, os ganhos da margem financeira foram insuficientes para cobrir o volume de provisões acumulado ao longo dos últimos quatro trimestres.
Inadimplência quase dobra em 12 meses
A taxa de inadimplência chegou a 4,81% em março de 2026, ante 4,18% em dezembro e 2,85% em março de 2025, alta de 1,96 ponto percentual em 12 meses. A carteira de crédito total ficou em R$ 64,309 bilhões, queda de 1,1% no trimestre e alta de 1,3% no ano. O crédito comercial, que representa 60,9% da carteira, avançou em linhas para empresas e crédito rural, mas veio acompanhado de deterioração na qualidade dos ativos.
A piora na inadimplência do Banrisul vai além do balanço individual: dados do Banco Central mostraram que a inadimplência do sistema atingiu recorde histórico em janeiro. O banco gaúcho terminou 2025 com a Caixa Econômica Federal em trajetória oposta: o banco federal lucrou R$ 15,5 bilhões no ano e expandiu a carteira em 11,5%, refletindo perfil de risco e concentração geográfica distintos.
O que observar
O dado mais relevante não é a queda trimestral em si, que sofre efeito de sazonalidade: o quarto trimestre costuma concentrar liberações de provisões e receitas pontuais. O sinal de alerta está na trajetória da inadimplência, que acumula alta de 1,96 ponto percentual em 12 meses. Para bancos regionais com carteira concentrada em um único estado, o ciclo de crédito tende a ser mais volátil do que em instituições com diversificação geográfica. Vale acompanhar se o reposicionamento de mix para spreads maiores consegue, nos próximos trimestres, compensar as perdas de crédito ou se o ROAE abaixo dos dois dígitos se estende como tendência estrutural, não apenas sazonal.
A estratégia declarada de “ampliação das soluções digitais e evolução das estratégias de renegociação” aponta para o caminho de recuperação, mas o prazo em que essa frente se converte em melhora de qualidade de ativos é a variável a monitorar. O próximo resultado trimestral será o primeiro indicativo de se as provisões do 1T26 marcaram o pico ou apenas um patamar intermediário.
Fontes: Valor Econômico • O Povo • Let’s Money • Let’s Money