O Barclays investiu na CommonAI, plataforma britânica que dá a startups e empresas acesso compartilhado a modelos, dados de treino e poder de computação para inteligência artificial. O movimento mostra um banco apostando em infraestrutura de IA do próprio ecossistema, em vez de depender apenas das big techs. Os valores do aporte não foram revelados.
Como a CommonAI é montada
| Peça |
Função |
| Common AI CIC |
Organização sem fins lucrativos que co-desenvolve propriedade intelectual de IA com os membros |
| CommonAI Compute |
Acesso a GPUs de baixo custo para treinar e rodar modelos |
| Digital Commons |
Repositório compartilhado de modelos, pesos, software, dados de treino e designs de hardware |
| Programa High Assurance AI |
IA segura para setores regulados: finanças, saúde, infraestrutura crítica e cibersegurança |
Estrutura da plataforma CommonAI, lançada em setembro de 2025. Fonte: Anthemis
Como funciona a plataforma de IA
Lançada em setembro de 2025 por Anthemis e Cambridge AI Venture Partners, a CommonAI reúne startups, grandes empresas, engenheiros e acadêmicos em torno de recursos comuns. Os membros ganham acesso a modelos, pesos, dados de treino e designs de hardware, além de poder de computação a custo reduzido, o que diminui a barreira de entrada para construir soluções de IA sob medida.
Junto com a entrada do Barclays, a plataforma colocou de pé o programa High Assurance AI, voltado a sistemas capazes de operar de forma autônoma e tomar decisões com segurança em ambientes de alto risco, como o financeiro. O banco entra como membro do programa e pretende usar a plataforma para identificar casos de uso e desenvolver soluções para desafios do setor.
A aposta do Barclays em tecnologia própria
O aporte se encaixa em uma sequência de movimentos do banco britânico para se aproximar de tecnologia de ponta sem terceirizar tudo. O Let’s Money já mostrou como o Barclays vem apostando em fintechs para modernizar bancos pelo mundo, e o banco também estuda criar uma plataforma de blockchain para pagamentos.
“Ao apoiar a CommonAI, estamos ajudando a construir um ecossistema mais aberto e colaborativo, capaz de acelerar o desenvolvimento e a adoção de IA em todo o Reino Unido”, afirmou Kristen Bennie, group head de inovação e parcerias do Barclays, em tradução livre. Segundo ela, o objetivo é dar a empresas de todos os portes, incluindo o próprio banco, acesso à capacidade e ao conhecimento para inovar e competir globalmente.
O que observar
A questão de fundo é quem controla a infraestrutura de IA que os bancos vão usar. Modelos, dados e poder de computação hoje concentram-se em poucos provedores de nuvem e de modelos fundacionais, e essa dependência tem custo e risco estratégico para instituições financeiras reguladas. Apoiar uma plataforma compartilhada é uma forma de diluir esse risco e ganhar voz no desenho da tecnologia, em vez de só consumi-la.
Vale acompanhar se o modelo de compute e propriedade intelectual compartilhados ganha tração entre instituições financeiras de outros mercados. Para bancos que dependem de provedores estrangeiros de nuvem e de modelos, a pergunta prática é se compensa investir em infraestrutura coletiva do ecossistema local ou seguir comprando capacidade pronta. O teste será ver se programas de IA voltados a setores regulados conseguem provar que decisões automatizadas operam com a segurança que o financeiro exige.
Fontes: Finextra • Anthemis • Tech.eu