O vice-presidente de Governo e Sustentabilidade do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, declarou que “na nossa carteira do agro, grande parte é para a produção sustentável e de baixo carbono”, em evento do Eco Invest Brasil realizado na segunda-feira (25). A afirmação sinaliza que o reposicionamento ambiental da carteira de agronegócio de R$ 406 bilhões do banco passou de diretriz institucional a critério operacional de alocação.
BB: carteira de agronegócio em 2026
| Item |
Dado |
| Total da carteira |
R$ 406 bilhões (2026, estável) |
| Orientação declarada |
“Grande parte” para baixo carbono e sustentabilidade |
| Eco Invest 4º leilão |
70% da carteira na Amazônia Legal (piso: 25%) |
| Meta de adimplência 2026 |
95% (recuperação no 2º semestre) |
Fonte: CNN Brasil
Crédito de baixo carbono: da declaração à execução
O BB opera a linha ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono), voltada a práticas como plantio direto, recuperação de pastagens degradadas e integração lavoura-pecuária-floresta. Sasseron acrescentou que o banco “incentiva que o setor seja cada vez mais sustentável”, incluindo iniciativas de reflorestamento. O crédito privado ganhou espaço no agro brasileiro nos últimos anos, ainda que com tensão crescente nos índices de inadimplência, o que torna a seleção de tomadores por critérios ambientais também uma decisão de gestão de risco.
No Eco Invest Brasil, instrumento público de capital catalítico do Tesouro Nacional, o banco apresentou carteira com 70% dos projetos na Amazônia Legal no quarto leilão, contra piso mínimo de 25% exigido pelo programa. O resultado reflete a capacidade do banco de montar carteiras de crédito elegíveis a esse tipo de alavancagem: captar recursos catalíticos com exigência de maioria de capital estrangeiro implica ter projetos que atendam aos critérios de additionality ambiental, não apenas volume. Bancos e fintechs têm acelerado iniciativas ESG como diferencial de captação e relacionamento institucional, e o Eco Invest é um dos principais canais desse movimento no crédito rural.
Sustentabilidade como argumento de risco
A inadimplência pressionou a carteira de agro do BB em 2025, com expectativa de manutenção de patamares elevados no primeiro semestre de 2026 e recuperação a partir do segundo. Nesse contexto, a ênfase em produção sustentável tem leitura dupla: é posicionamento ESG para captação de capital internacional, mas também aposta de que produtores com práticas de baixo carbono têm menor exposição a choques climáticos e maior acesso a prêmios de mercado, o que reduziria o risco de crédito ao longo do tempo.
Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócio do banco, atribuiu a garantias reais estruturadas o potencial de “elevar a qualidade da carteira, aumentando a adimplência dos produtores”, indicando que critérios de seleção de tomadores são parte central da estratégia de 2026.
O que observar
A declaração de Sasseron afirma que “grande parte” da carteira já é sustentável, mas sem definir percentual ou metodologia de classificação. A credibilidade dessa tese depende de como o banco define operações de baixo carbono: linhas com critério ambiental formal (como ABC+ ou projetos elegíveis ao Eco Invest) têm rastreabilidade; o universo mais amplo de “produção sustentável” pode incluir operações classificadas por autodeclaração do produtor. O segundo semestre de 2026, com recuperação de inadimplência esperada, será o parâmetro para avaliar se a orientação ambiental da carteira se traduz em risco de crédito efetivamente menor.
O Tesouro Nacional já lançou o 5º Eco Invest, com foco em minerais críticos, fertilizantes verdes e inteligência artificial. Para instituições com carteira de agro e ESG madura, a capacidade de compor carteiras elegíveis a capital catalítico com exigência de maioria estrangeira define quem mantém posição relevante nesse canal. A concentração de 48% dos recursos do 4º certame numa única instituição indica que o programa tende a premiar quem chega com projetos mais estruturados, não quem apenas se posiciona institucionalmente como “banco verde”.
Fontes: CNN Brasil • Boca • Let’s Money