O Banco do Brasil cortou sua projeção de lucro ajustado para 2026, de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, e passou a exigir alienação fiduciária em 63% das novas operações com grandes produtores no Plano Safra 2025/2026. A mudança responde ao aumento de inadimplência e de pedidos de recuperação judicial no agronegócio que pressionou os resultados do banco no primeiro trimestre.
BB no agro: indicadores 2026
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Alienação fiduciária (novas operações, grandes produtores) | 63% |
| Pedidos de recuperação judicial no agro (1T26) | 162 |
| Pedidos de recuperação judicial no agro (abril) | 61 |
| BB Regulariza Agro (renegociado) | R$ 38 bi / 25 mil produtores |
| Projeção de lucro ajustado 2026 (revisada) | R$ 18-22 bi (era R$ 22-26 bi) |
Dados da teleconferência de resultados do 1T26 do Banco do Brasil. Fonte: Valor Econômico
Como o BB está protegendo a carteira rural
A exigência de alienação fiduciária representa uma mudança de postura na concessão de crédito rural. A lógica, segundo o banco, é que essa modalidade de garantia reduz o impacto de recuperações judiciais sobre as operações: ao contrário de outras garantias, a alienação fiduciária não entra na massa de credores em um processo de recuperação judicial, o que protege o banco independentemente da decisão judicial. No primeiro trimestre, o setor registrou 162 pedidos de RJ, número considerado alto para um período que inclui o recesso do Judiciário. Só em abril foram outros 61.
“Hoje existem mais incertezas e desafios do que quando começou o ano”, afirmou Geovanne Tobias, vice-presidente financeiro do BB, em teleconferência com analistas. Segundo ele, a expectativa de Selic mais alta, agora em 13,5% ao final do ano contra 12% na projeção anterior, e o ambiente geopolítico mais incerto afetaram os modelos de risco do banco. A inadimplência rural acima de 90 dias chegou a 6,22% no trimestre, com as linhas de custeio de safra alcançando 10,56%, segundo a InfoMoney. O lucro líquido ajustado caiu para R$ 3,4 bilhões no período.
Como resposta, o banco concluiu o BB Regulariza Agro com R$ 38 bilhões renegociados envolvendo 25 mil produtores e intensificou cobranças: só no primeiro trimestre, realizou metade de todas as cobranças judiciais executadas ao longo de 2025 inteiro. Uma nova matriz de resiliência para priorizar clientes com melhor relação risco-retorno deve cobrir mais da metade da carteira agro a partir de setembro. “A gente ainda vai ver, durante os próximos meses, algum nível de inadimplência [no agro], porque estamos olhando para uma carteira passada. Só que o impacto vai ser cada vez menor”, disse Gilson Bittencourt, vice-presidente de agro do banco. Em março, o Let’s Money havia reportado o avanço do crédito privado no agro como resposta ao recuo do crédito público, com LCAs e CRAs ganhando participação.








