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BB chega a R$ 18,2 bi no Crédito do Trabalhador em 14 meses

Banco do Brasil atinge R$ 18,2 bi no Crédito do Trabalhador em 14 meses e mira 20% do consignado privado para recuperar rentabilidade.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

O Banco do Brasil chegou a R$ 18,2 bilhões em desembolsos no Crédito do Trabalhador em pouco mais de um ano, atingindo 1,2 milhão de trabalhadores em 203,7 mil empresas empregadoras e 98,8% dos municípios brasileiros, enquanto o banco defende o avanço no consignado privado como estratégia para recuperar rentabilidade após a crise no agronegócio.

Crédito do Trabalhador no BB: desde mar/2025

Indicador Resultado
Desembolso total R$ 18,2 bi
Trabalhadores atendidos +1,2 mi
Empresas empregadoras 203,7 mil
Municípios alcançados 98,8% do Brasil

Indicadores do Crédito do Trabalhador no Banco do Brasil desde o lançamento. Fonte: Banco do Brasil

De 100 mil a 1,2 milhão em 14 meses

O Crédito do Trabalhador permite que empregados com carteira assinada no setor privado contraiam empréstimos com desconto direto em folha de pagamento, modalidade historicamente restrita ao funcionalismo público. Desde o lançamento do programa, em março de 2025, o Banco do Brasil partiu de 100 mil clientes no início daquele ano para 1,2 milhão atualmente, atingindo praticamente todo o território nacional. A escala foi viabilizada pela parceria com as empresas empregadoras, que respondem não apenas como canal de distribuição, mas também como elemento de governança e sustentabilidade das operações: há 203,7 mil empresas vinculadas ao programa.

A substituição de dívidas caras por consignado é o argumento de demanda do produto. Um trabalhador com empréstimo pessoal a 5% ao mês que migra para consignado privado a taxas menores reduz o comprometimento de renda de forma imediata, criando demanda estrutural enquanto o estoque de crédito caro permanecer elevado no país.

Consignado como alavanca de recuperação

O avanço no consignado privado não é acidental. Com o retorno sobre patrimônio (ROE) caindo para 7,3% no primeiro trimestre de 2026 por pressão no agronegócio, e tendo renegociado R$ 4,1 bilhões com o Tesouro para preservar capital em fevereiro, o banco declarou à Bloomberg Línea que a expansão em pessoa física é “uma estratégia para equilibrar o portfólio do banco”. A meta é atingir 20% do mercado de consignado privado, segmento onde o banco ainda detém participação menor do que os cerca de 25% que concentra no consignado do funcionalismo público.

O mercado atrai concorrência crescente. A QI Tech lançou plataforma de consignado as a service com capacidade para R$ 2 bilhões por mês no início deste ano, sinalizando que o segmento virou arena de consolidação também para fintechs de infraestrutura. A diferença de posicionamento do Banco do Brasil está na capilaridade: 98,8% dos municípios e uma rede de agências que poucos competidores conseguem replicar.

O que observar

O consignado privado tem uma característica que o diferencia de outras modalidades de crédito pessoal: o risco de inadimplência migra do comportamento financeiro do trabalhador para o vínculo empregatício. Quando o empregado é desligado, o desconto em folha cessa e a dívida pode tornar-se problemática. Em um cenário de desaceleração econômica, a taxa de desemprego formal se torna o principal indicador a acompanhar nas carteiras de consignado privado de bancos com alta exposição ao ciclo econômico.

A segunda variável é a margem. Quando múltiplos bancos e fintechs disputam o mesmo segmento ao mesmo tempo, a concorrência tende a comprimir as taxas cobradas e, com elas, a rentabilidade das operações. O crescimento em volume é o passo inicial; o teste real é se o consignado privado entrega margem suficiente para compensar a pressão nas carteiras mais arriscadas.

Fontes: Banco do BrasilBloomberg LíneaLet’s MoneyLet’s Money

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