O Banco do Brasil elevou de 31% para 69% a parcela do crédito rural coberta por garantia real entre a safra 2024/25 e o ciclo atual, e projeta que a pontualidade dos produtores subirá de 92% para 95% em 2026, disse Gilson Bittencourt, VP de Agronegócios e Agricultura Familiar, no BB Day 2026.
BB no agro: indicadores em recuperação
| Indicador |
Antes |
Agora |
| Garantia real |
31% (safra 2024/25) |
69% (ciclo atual) |
| Pontualidade |
92% (2025) |
95% (projeção 2026) |
| Carteira Regulariza Agro |
R$ 64,5 bi (total) |
36% em 2026, 22% em 2027 |
Indicadores do crédito rural do Banco do Brasil divulgados no BB Day 2026. Fonte: InfoMoney
A melhora nas garantias
“Na safra 2024/25, tínhamos 31% de garantia real, agora temos 69%”, disse Bittencourt. A mudança reflete critério mais rigoroso de concessão e maturação de safras com melhora de renda. O VP associou o avanço a uma dinâmica de reinvestimento: “No momento que o produtor tem mais renda, ele investe em mais máquinas […]”, o que amplia a base de ativos disponíveis como colateral.
A recomposição segue tendência mais ampla: em março de 2026, o banco já projetava retorno ao padrão histórico de financiamento rural após a expansão de LCAs e CRAs no setor. “O Banco do Brasil vai continuar financiando o agro, porque o agro é o motor de pequenos e médios municípios e da nossa balança comercial”, disse Bittencourt.
Regulariza Agro e o cronograma de pagamentos
A carteira adiada via MP 1314, o Regulariza Agro, totaliza R$ 64,5 bilhões. Desse total, 36% estão programados para refinanciamento em 2026 e 22% em 2027. Felipe Prince, VP de Controles Internos e Gestão de Riscos, indicou que o programa impactará custos com defasagem: “Pode trazer o efeito para próxima safra, mas ainda não tem o efeito de custos”, disse.
O timing é relevante porque, segundo Prince, “o grosso da compra de insumos acontece por volta de junho e julho […]”, concentrando o fluxo de caixa dos produtores no segundo semestre. O ciclo de pagamentos do Regulariza Agro em 2026 coincide, portanto, com o período de maior demanda por capital de giro no campo. No campo, o Pix já mudou a lógica dos pagamentos no agronegócio, facilitando o rastreamento de fluxos que alimentam modelos de análise de crédito rural.
O que observar
A melhora na garantia real (de 31% para 69%) é um sinal estrutural positivo, mas o teste vem com o refinanciamento do bloco de 36% do programa em 2026: uma concentração de renegociações em curto intervalo pode pressionar os indicadores de pontualidade antes de beneficiá-los. O dado crítico a acompanhar é se a projeção de 95% de pontualidade se sustenta após o desembolso de junho-julho, quando o grosso dos insumos é comprado e o impacto do programa sobre os custos começa a aparecer nas provisões.
Para o setor, o dado mais relevante do evento não é o compromisso de continuidade do crédito rural, que já era esperado, mas a velocidade com que a garantia real mais que dobrou em um ciclo: de 31% para 69%. Isso indica que as renegociações anteriores foram acompanhadas de exigência de colateral adicional, o que muda o perfil de risco da carteira agro para os próximos ciclos de inadimplência.
Fontes: InfoMoney • Let’s Money • Let’s Money