A ação do PicPay enfrenta um momento desafiador desde sua estreia na Nasdaq. Quase um mês após a abertura de capital, o papel acumula queda de 14%, com recuo de 6,61% apenas em fevereiro. Porém, o BB Investimentos iniciou cobertura da empresa com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 20,40, indicando potencial de valorização de 32% até o fim de 2025.
Criada em 2012 e adquirida pela holding J&F em 2015, a fintech conta hoje com 66 milhões de usuários cadastrados. A plataforma se posiciona como o segundo maior banco digital do Brasil em número de clientes, atrás apenas do Nubank.
Rentabilidade já no presente
Diferentemente de outras empresas em fase de IPO que ainda queimam caixa, o PicPay já apresenta lucro consistente. Segundo o Seu Dinheiro, a companhia registrou lucro líquido de R$ 313,8 milhões nos primeiros nove meses de 2025, com receita bruta total de R$ 7,26 bilhões no período. O ROE atingiu 17,4% nos últimos 12 meses.
O analista Rafael Reis, autor do relatório, destaca que essa rentabilidade comprova a capacidade de entregar resultados elevados mesmo cobrando menos tarifas, graças ao modelo operacional enxuto da fintech.
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Expansão com recursos do IPO
A oferta pública rendeu R$ 500 milhões ao PicPay, recursos destinados a reforçar o capital e expandir a carteira de crédito. Além disso, cerca de R$ 620 milhões serão utilizados para concluir a aquisição da Kovr, uma insurtech que fortalecerá o portfólio de seguros da plataforma.
A expectativa do BB Investimentos é que a carteira de crédito cresça 103% em 2025 em relação ao ano anterior e 40% em 2026. O lucro líquido, estimado em R$ 455 milhões para 2025, deve alcançar R$ 3,61 bilhões em 2030, com ROAE de 26,4%.
Oportunidades e desafios
Entre os fatores favoráveis está a concentração bancária no Brasil, onde os cinco maiores bancos ainda dominam o mercado. A estrutura de custos reduzida permite ao PicPay oferecer serviços mais baratos, atraindo milhões de clientes.
No entanto, a expansão de crédito traz riscos de inadimplência, especialmente considerando que a fintech atua em segmentos como jovens sem histórico bancário. A concorrência com grandes bancos que aprimoram suas plataformas digitais também representa um desafio constante.