BB moderniza 43 mil caixas eletrônicos com código aberto
Banco do Brasil concluiu a modernização de mais de 43 mil caixas eletrônicos em código aberto, com software até 5x mais rápido e 74% menos tempo de dev.
O Banco do Brasil concluiu a renovação de mais de 43 mil terminais de autoatendimento, padronizando o parque sobre uma base única de código aberto. O parque passou a entregar novas versões de software até cinco vezes mais rápido e reduziu o desenvolvimento em até 74%, em uma das maiores redes de ATMs do mundo.
Modernização dos caixas eletrônicos do BB
Métrica
Resultado
Caixas eletrônicos modernizados
mais de 43 mil
Entrega de novas aplicações
até 5x mais rápida
Tempo de desenvolvimento
redução de até 74%
Base tecnológica
sistema operacional único (código aberto)
Resultados da modernização dos caixas eletrônicos do Banco do Brasil. Fonte: TI Inside
Uma trajetória que começou em 2013
Antes da modernização, a instituição operava em um ambiente composto por diferentes sistemas operacionais, o que aumentava a complexidade de gerenciamento, dificultava a evolução das aplicações e ampliava o esforço das equipes de tecnologia.
Para enfrentar esse cenário, o Banco do Brasil reconheceu que, para manter operações otimizadas em suas aplicações de missão crítica, precisava de uma plataforma robusta, padronizada e de classe empresarial. Em 2013, iniciou a adoção das subscrições do SUSE Linux Enterprise Server e do SUSE Linux Enterprise Desktop. Esse processo evoluiu até que, em 2017, a instituição padronizou sua rede de terminais de agências nessa distribuição, ao mesmo tempo em que ampliava seu ambiente de servidores virtualizados. Ao longo dessa trajetória, as soluções da SUSE demonstraram confiabilidade. No entanto, à medida que o banco expandia sua operação e evoluía sua oferta de serviços, surgiram novos desafios operacionais, principalmente na rede de caixas eletrônicos.
Como esses equipamentos costumam ter um ciclo de vida entre 10 e 13 anos, o banco precisava manter um sistema operacional moderno e seguro mesmo em hardware mais antigo, evitando substituições de alto custo. Ao mesmo tempo, buscava ampliar o uso de mecanismos modernos de segurança, como os criptoprocessadores Trusted Platform Module (TPM), já presentes em parte do parque, para reforçar a proteção dos ATMs diante da rápida evolução das ameaças cibernéticas. Esse cenário era ainda mais complexo porque os equipamentos dependem de dispositivos periféricos proprietários, como leitores de cartão, scanners biométricos e dispensadores de cédulas, que exigem integração com drivers personalizados.
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Uma base única no lugar de sistemas dispersos
Foi nesse contexto que a adoção do SUSE Linux Enterprise Server e do SUSE Linux Enterprise Desktop criou uma base única para o desenvolvimento e a operação dos sistemas críticos, simplificando processos, aumentando a produtividade e reduzindo falhas durante o desenvolvimento de aplicações.
Para a distribuição, o BB montou uma esteira automática apoiada no Open Build Service (OBS), da SUSE, que empacota cada versão e a envia à rede inteira sem passos manuais.
“Os desenvolvedores do BB não enfrentam mais o que é conhecido como ‘dependency hell’. Eles simplesmente enviam seu código, e o OBS automaticamente o empacota para deployment”, explicou o gerente de TI do BB, Berthonio de Medeiros Lucena. Enquanto grandes bancos seguem estratégias distintas para o núcleo tecnológico, o Bradesco, por exemplo, mantém o mainframe no core bancário com IA.
Segurança e vida útil mais longa dos equipamentos
A padronização também eleva a proteção da cadeia de suprimento de software dos terminais, criando um ambiente mais verificável para milhares de dispositivos espalhados pelo país. Outro efeito é a durabilidade: com uma base atualizável, o banco consegue evoluir o software de máquinas com mais de dez anos de uso, sem trocar o hardware com frequência. Com cerca de 88 milhões de clientes, o BB opera nesse parque serviços críticos como o Pix.
A modernização de um parque físico de autoatendimento mostra que os grandes incumbentes ainda tratam o canal presencial como ativo estratégico, não como legado a desligar. Vale acompanhar se a adoção de bases de código aberto em ambientes críticos vira padrão entre bancos de grande porte, movida por soberania digital e menor dependência de fornecedores, ou se fica restrita a instituições com escala para manter times próprios de engenharia. O teste prático é operacional: sustentar milhares de equipamentos com ciclos de vida longos exige atualização contínua de software e uma cadeia de suprimento auditável, em um terreno em que falhas de segurança têm impacto direto sobre serviços essenciais.