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RegulaçãoPagamentos · Apostas

Regra amplia controle de bancos sobre bets ilegais no Pix

A Portaria SPA/MF nº 2.750/2026 amplia os controles de bancos e instituições de pagamento sobre transações ligadas a apostas ilegais, com foco no Pix.

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Atualizado em

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda publicou a Portaria SPA/MF nº 2.750/2026, regra que amplia os controles das instituições financeiras sobre pagamentos ligados à exploração irregular de apostas de quota fixa. A norma substitui a Portaria SPA/MF nº 566/2025 e alcança bancos, instituições de pagamento e instituidores de arranjos de pagamento, no mercado regulado pelo Banco Central, com atenção reforçada a intermediários e ao Pix. O texto chega em meio à pressão para que o Banco Central reforce a supervisão das fintechs usadas por bets ilegais.

A principal novidade está no detalhamento dos controles. Além de identificar pagamentos destinados diretamente a operadores irregulares, as instituições passam a considerar as estruturas usadas para receber, movimentar ou repassar esses recursos.

A nova regra sobre pagamentos de bets

Item Dado
Norma Portaria SPA/MF nº 2.750/2026
Substitui Portaria SPA/MF nº 566/2025
Quem deve cumprir bancos, instituições de pagamento e arranjos de pagamento
Foco pagamentos ligados a apostas de quota fixa irregulares
Comunicação indícios são reportados à SPA

Dados da portaria. Fonte: Ministério da Fazenda

O que muda no monitoramento

As instituições não podem mais restringir o controle à consulta de uma lista de operadores irregulares. Entre os elementos observados estão movimentações incompatíveis com a atividade econômica do cliente, grande quantidade de pagamentos vindos de diferentes pessoas, valores repetidos ou padronizados, aumento repentino da movimentação e a substituição sucessiva de contas ou instrumentos de pagamento.

“Na prática, a instituição não pode limitar o controle à consulta de uma lista de operadores irregulares. […] O objetivo é identificar também terceiros utilizados para receber ou movimentar recursos em benefício de uma operação irregular”, explica Thiago do Amaral Santos, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e especialista em regulação financeira e meios de pagamento.

Os indicadores não geram bloqueio automático. A instituição deve analisar o conjunto das informações disponíveis, inclusive a compatibilidade da movimentação com a atividade do cliente e o destino dos recursos, antes de comunicar os indícios à SPA.

Intermediários e o ponto do Pix

A portaria amplia a atenção sobre intermediários. Uma conta não precisa estar formalmente em nome de uma bet para ser relevante: terceiros podem receber pagamentos dos apostadores e depois repassar os recursos ao operador ou a outros participantes da cadeia. Gateways e subcredenciadoras, por sua vez, podem exercer funções legítimas.

“A existência do intermediário não caracteriza irregularidade. O ponto é compreender sua função, quem recebe os recursos e quem é o beneficiário. O problema surge quando a intermediação é utilizada para ocultar o verdadeiro destinatário ou permitir que uma operação irregular continue recebendo recursos por meio de terceiros”, afirma Amaral.

No Pix, o controle ganha peso diante da facilidade de trocar rapidamente as contas e chaves usadas para recebimento. Um operador pode migrar da Empresa A para a Empresa B após uma medida restritiva; se o site, a jornada de pagamento e os padrões de valores permanecem, a mudança de conta pode indicar a continuidade da mesma operação.

O que observar

A norma interessa a bancos, fintechs e participantes de arranjos de pagamento, que passam a mapear intermediários e padrões de repasse, e não apenas listas de operadores. Vale acompanhar como as instituições ajustam seus sistemas de monitoramento do Pix e como a SPA trata as comunicações recebidas a partir dos novos indícios.

Fontes: Ministério da FazendaBanco CentralLet’s Money: PF investiga lavagem de R$ 1,1 bi de bets no exterior

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