O Banco Central determinou, por duas vezes, a realização de auditoria externa nos precatórios do Banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto. As consultorias contratadas, o escritório Galdino Advogados e a KPMG, não identificaram irregularidades nos R$ 8,7 bilhões em precatórios que, mais tarde, se revelaram centrais no esquema de fraude que levou à liquidação do banco.
Cronologia: BC e os precatórios do Master
| Data | Ação |
|---|---|
| Out/2023 | BC limita crescimento de precatórios no balanço do Master |
| Mar/2024 | Ofício 5.582 do Desup determina auditoria externa (Galdino escolhido pelo Master) |
| Set/2024 | BC identifica precatórios sem registro público de cessão |
| Nov/2024 | BC questiona novamente valores e aponta postergação de reconhecimento de iliquidez |
| 2026 | Relatório 12 do TCU documenta todo o histórico |
Fonte: Valor Econômico (com base no relatório do TCU)
Auditorias com escopo limitado
O Galdino Advogados afirmou que seu parecer avaliou exclusivamente riscos jurídicos e expectativa de recebimento dos precatórios, sem analisar “aspectos econômicos ou financeiros relativos aos créditos”. O escritório foi escolhido pelo próprio Master a partir de uma lista de três opções indicadas pelo BC. A KPMG, que atuou como auditora externa do banco até 2025, considerou “aceitável a mensuração e a avaliação da titularidade dos direitos creditórios” no balanço de 2024, que registrava R$ 8,7 bilhões em precatórios de um ativo total de R$ 63 bilhões.
O relatório do TCU, no entanto, documentou que o próprio BC identificou problemas posteriores. Em setembro de 2024, um ofício do Desup apontou precatórios sem registro público de cessão, expondo o banco a “risco jurídico severo”. Em novembro, outro ofício questionou valores e indicou que o Master “postergava o reconhecimento da iliquidez” por meio de engenharias financeiras. Além dos precatórios, investigações posteriores revelaram cerca de R$ 13 bilhões escondidos em camadas de fundos de investimento. Após a liquidação do Banco Master Múltiplo pelo BC, o FGC ainda deve R$ 793 milhões a clientes do banco.








