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BC defende autonomia para seguir na ponta da inovação

No Fintouch, o BC diz que o Brasil é referência global em inovação financeira e defende autonomia financeira e orçamentária da autarquia.

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· 3 min

Atualizado em

Diego Grandi / Shutterstock.com

O Banco Central afirmou que o Brasil se firmou como referência global em inovação financeira e defendeu a autonomia da autarquia para seguir induzindo novos serviços. A avaliação foi de Matheus Rauber, chefe de subunidade do BC, no Fintouch, evento da ABFintechs em São Paulo.

O que o BC citou como regulação indutora de inovação

Iniciativa Como o BC enquadra
Pix Caso mais claro de inovação induzida pela regulação
Open Finance Compartilhamento de dados citado como inovação puxada pelo regulador
Open Asset Projeto que “discute toda a agenda de recebíveis”

Iniciativas citadas pelo chefe de subunidade do BC no Fintouch 2026. Fonte: Valor

Regulação como indutora de inovação

Segundo Rauber, o país vem ganhando destaque por combinar um arcabouço regulatório robusto, uma população que adota tecnologia rapidamente e um ecossistema de fintechs desenvolvido. “O Brasil é visto como referência há muito tempo, mas tem se destacado cada vez mais como essa referência”, afirmou. Esse reconhecimento sobre a forma como o Brasil fiscaliza o Open Finance também já foi destacado por organismos internacionais.

Para ele, a inovação resulta tanto do mercado quanto da regulação. “A gente tem muitas vezes cenários em que o mercado está à frente do regulador”, disse, acrescentando que nem sempre é assim. Como exemplos de regulação que atuou como indutora, citou o Pix, o open finance e o open asset, este último um projeto ainda em debate que trata da agenda de recebíveis.

Por que a autonomia entra agora

Rauber aproveitou o evento para defender o fortalecimento institucional da autarquia. “Eu acho que fica cada vez mais importante a gente ter um Banco Central com autonomia financeira, administrativa, orçamentária”, declarou, lembrando que a discussão ocorre no momento. Para ele, a autonomia é necessária para que o órgão continue induzindo a inovação e mantendo um modelo regulatório moderno.

O contexto é concreto: no mesmo dia, 10 de junho de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC 65/2023, que prevê autonomia administrativa, contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial ao BC. O texto segue para o plenário da Casa.

Open finance como vitrine da referência

O argumento de que o país virou vitrine regulatória aparece com mais força no open finance, hoje o maior do mundo. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, Ana Carla Abrão, CEO da Associação Open Finance Brasil, dimensionou o sistema: “São mais de 100 milhões de conexões, sendo esse o maior Open Finance do mundo“. Na época, ela já apontava que o Reino Unido, que inspirou o modelo, hoje busca o Brasil para entender como o ecossistema avançou, a mesma leitura que o BC reforçou agora.

O que observar

A defesa da autonomia institucional por um regulador no momento em que a proposta tramita no Congresso conecta dois debates que costumam correr separados: a governança da autoridade monetária e a continuidade da agenda de inovação. Vale acompanhar se a tramitação altera o desenho orçamentário do órgão e que efeito isso tem sobre o ritmo de novas regras.

No plano da inovação, a pergunta é se as agendas evolutivas de pagamentos instantâneos, compartilhamento de dados e da pauta de recebíveis seguem no mesmo passo, e se a tokenização entra como próxima fronteira. Para fintechs de crédito e provedores de infraestrutura financeira que construíram modelos sobre esses trilhos públicos, o teste é operacional: cada nova etapa regulatória redesenha integrações e prazos de adequação.

Fontes: Valor EconômicoAgência BrasilLet’s MoneyLet’s Money Podcast: 5 anos do Open Finance, com Ana Carla Abrão

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