O Banco Central afirmou que o Brasil se firmou como referência global em inovação financeira e defendeu a autonomia da autarquia para seguir induzindo novos serviços. A avaliação foi de Matheus Rauber, chefe de subunidade do BC, no Fintouch, evento da ABFintechs em São Paulo.
O que o BC citou como regulação indutora de inovação
| Iniciativa |
Como o BC enquadra |
| Pix |
Caso mais claro de inovação induzida pela regulação |
| Open Finance |
Compartilhamento de dados citado como inovação puxada pelo regulador |
| Open Asset |
Projeto que “discute toda a agenda de recebíveis” |
Iniciativas citadas pelo chefe de subunidade do BC no Fintouch 2026. Fonte: Valor
Regulação como indutora de inovação
Segundo Rauber, o país vem ganhando destaque por combinar um arcabouço regulatório robusto, uma população que adota tecnologia rapidamente e um ecossistema de fintechs desenvolvido. “O Brasil é visto como referência há muito tempo, mas tem se destacado cada vez mais como essa referência”, afirmou. Esse reconhecimento sobre a forma como o Brasil fiscaliza o Open Finance também já foi destacado por organismos internacionais.
Para ele, a inovação resulta tanto do mercado quanto da regulação. “A gente tem muitas vezes cenários em que o mercado está à frente do regulador”, disse, acrescentando que nem sempre é assim. Como exemplos de regulação que atuou como indutora, citou o Pix, o open finance e o open asset, este último um projeto ainda em debate que trata da agenda de recebíveis.
Por que a autonomia entra agora
Rauber aproveitou o evento para defender o fortalecimento institucional da autarquia. “Eu acho que fica cada vez mais importante a gente ter um Banco Central com autonomia financeira, administrativa, orçamentária”, declarou, lembrando que a discussão ocorre no momento. Para ele, a autonomia é necessária para que o órgão continue induzindo a inovação e mantendo um modelo regulatório moderno.
O contexto é concreto: no mesmo dia, 10 de junho de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC 65/2023, que prevê autonomia administrativa, contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial ao BC. O texto segue para o plenário da Casa.
Open finance como vitrine da referência
O argumento de que o país virou vitrine regulatória aparece com mais força no open finance, hoje o maior do mundo. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, Ana Carla Abrão, CEO da Associação Open Finance Brasil, dimensionou o sistema: “São mais de 100 milhões de conexões, sendo esse o maior Open Finance do mundo“. Na época, ela já apontava que o Reino Unido, que inspirou o modelo, hoje busca o Brasil para entender como o ecossistema avançou, a mesma leitura que o BC reforçou agora.

O que observar
A defesa da autonomia institucional por um regulador no momento em que a proposta tramita no Congresso conecta dois debates que costumam correr separados: a governança da autoridade monetária e a continuidade da agenda de inovação. Vale acompanhar se a tramitação altera o desenho orçamentário do órgão e que efeito isso tem sobre o ritmo de novas regras.
No plano da inovação, a pergunta é se as agendas evolutivas de pagamentos instantâneos, compartilhamento de dados e da pauta de recebíveis seguem no mesmo passo, e se a tokenização entra como próxima fronteira. Para fintechs de crédito e provedores de infraestrutura financeira que construíram modelos sobre esses trilhos públicos, o teste é operacional: cada nova etapa regulatória redesenha integrações e prazos de adequação.
Fontes: Valor Econômico • Agência Brasil • Let’s Money • Let’s Money Podcast: 5 anos do Open Finance, com Ana Carla Abrão