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BC lança bloqueio automático de contas de liquidação do Pix

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O Banco Central criou um mecanismo de bloqueio automático para a Conta Pagamentos Instantâneos (Conta PI), usada pelos participantes diretos do SPI para liquidar transações Pix. A Resolução BCB nº 554, assinada nesta terça-feira (24) pelo diretor de Política Monetária Nilton David, altera o regulamento do Sistema de Pagamentos Instantâneos e entra em vigor em 30 de março.

▸ Fluxo do bloqueio automático da Conta PI

① Participante configura limite mínimo de saldo operacional

② Participante ativa opção de bloqueio automático

③ Ordem de pagamento submetida ao SPI

④ SPI verifica: liquidação reduziria saldo abaixo do limite?

⑤ Se sim → ordem rejeitada

⑥ Rejeição + bloqueio ativado → Conta PI bloqueada automaticamente

⑦ Desbloqueio: somente manual, via SPB-Web

Fonte: Resolução BCB nº 554/2026, Art. 26-A

O que muda na operação do SPI

A resolução altera quatro artigos da Resolução BCB nº 195/2022, que regulamenta o funcionamento do SPI e da Conta PI. O ponto central é a criação do artigo 26-A, que estabelece o bloqueio automático. O Banco Central poderá interromper temporariamente o acesso do participante direto para fins de liquidação quando duas condições forem atendidas simultaneamente: a rejeição de uma ordem cujo processamento reduziria o saldo abaixo do limite mínimo operacional configurado e a ativação prévia da opção de bloqueio automático pelo próprio participante.

O bloqueio permanece em vigor até que a instituição comande o desbloqueio manual pelo módulo SPI do SPB-Web. A partir do bloqueio, ordens de pagamento submetidas e ainda não liquidadas são rejeitadas pelo sistema. A norma explicita que o bloqueio, seja manual ou automático, não inibe outras operações na Conta PI que não envolvam a emissão de novas ordens de pagamento.

Novos parâmetros e monitoramento

A resolução amplia os parâmetros que cada participante pode configurar no SPI. Além do valor de saldo mínimo para fins de notificação, as instituições passam a definir o limite mínimo de saldo operacional, usado tanto para verificação de saldo disponível quanto para o acionamento do bloqueio automático. A norma também permite configurar o grau de intensidade das comunicações de movimentação atípica emitidas pelo Banco Central e ativar ou desativar a opção de bloqueio automático.

No lado de monitoramento, participantes passam a ser responsáveis por acompanhar comunicações de atingimento de saldo mínimo, atingimento do limite mínimo de saldo operacional e bloqueio automático da Conta PI. A resolução também cria um canal alternativo de consulta: participantes poderão obter informações de saldo atual e relação de lançamentos da Conta PI por meio de interface complementar, fora do horário regular da RSFN.

O que observar

A resolução coloca nas mãos dos próprios participantes diretos a decisão de ativar ou não o bloqueio automático, mantendo o mecanismo como opcional e configurável. Essa abordagem transfere parte da responsabilidade pela gestão de risco operacional para as instituições, que precisarão calibrar o limite mínimo de saldo com precisão. Um limite muito alto pode gerar bloqueios desnecessários em horários de pico; um limite muito baixo pode não cumprir a função de proteção.

O fato de o desbloqueio ser exclusivamente manual, via SPB-Web, adiciona uma camada de atrito deliberada ao processo de reativação. Para participantes com operação 24/7, isso exige equipe de monitoramento capaz de reagir fora do horário comercial.

Fontes: Banco Central do Brasil

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