Luis Mansur Siqueira, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central, descartou a preocupação com risco moral no Desenrola 2.0 e classificou as bets como “problema social” que agrava o endividamento da população brasileira.
Endividamento: diagnóstico e posição do BC
| Tema | Posição do BC |
|---|---|
| Risco moral do Desenrola 2.0 | Não é relevante: o tempo de espera por programa é penoso ao devedor |
| Programas de renegociação | Muito bem-vindos, mas insuficientes no longo prazo |
| Educação financeira | Necessária para redução estrutural do endividamento |
| Bets e apostas online | Problema social regulamentado que agrava o endividamento |
Diagnóstico do BC sobre endividamento. Fonte: Valor Econômico
Por que o risco moral do Desenrola não seria relevante
O conceito de risco moral, nesse contexto, é a hipótese de que o devedor deixaria de quitar suas dívidas esperando por um novo programa de renegociação. Mansur Siqueira argumentou que esse risco não se materializa na prática porque o período de espera é financeiramente penoso: manter dívidas em aberto por anos à espera de um programa de renegociação tem custo real para o devedor em juros, restrições de crédito e impacto no cotidiano.
“Eu acredito que não [existe o problema do risco moral], porque as pessoas realmente estão passando por um processo de endividamento. Eu acho que esse risco moral não é relevante para esse caso do endividamento… a pessoa ficar esperando um programa de renegociação para poder ter as suas dívidas reduzidas. O tempo que ela ficaria esperando até que chegue um programa desse é penoso para ela”, afirmou o dirigente.
O representante do BC disse que programas de renegociação, tanto o Desenrola quanto os promovidos pelo setor financeiro, são “muito bem-vindos porque aliviam, pelo menos no curto prazo, o problema do elevado nível de endividamento da população.” Mas fez uma ressalva: “A gente vê com bons olhos, mas não é suficiente, porque precisamos realmente de campanhas de longo prazo, que foquem na educação financeira da população, para que a gente possa reduzir esse nível de endividamento no médio e longo prazo também.”








