O Banco Central levantou a hipótese de que a expectativa de anúncio do Desenrola Brasil pode ter contribuído para a alta da inadimplência de pessoas físicas em abril, que subiu 0,1 ponto percentual, para 5,4%. Para Fernando Rocha, chefe do departamento de estatística do BC, o efeito é possível mas não seria o principal fator por trás do movimento.
Inadimplência no SFN: abril 2026
| Segmento | Taxa | Variação mensal |
|---|---|---|
| Total SFN | 4,4% | +0,1 p.p. |
| Pessoas físicas | 5,4% | +0,1 p.p. |
| Pessoas jurídicas | 2,8% | +0,3 p.p. |
| PF recursos livres | 7,2% | +0,2 p.p. |
Nota de Crédito do Banco Central, abril 2026. Fonte: InfoMoney
A lógica do adiamento estratégico
O Desenrola Brasil foi lançado em 4 de maio, mas notícias sobre os estudos da segunda fase do programa circulavam antes. A hipótese do BC é que parte dos inadimplentes pode ter optado por atrasar o pagamento das dívidas na expectativa de conseguir condições mais favoráveis de renegociação. “É possível a gente pensar nessa hipótese. Implicitamente, a gente está considerando (nas estatísticas) agentes racionais, com uma quantidade e qualidade muito boas de informação”, disse Fernando Rocha. “Mas eu não diria que isso seja o principal fator por trás deste crescimento, ou dessa variação da inadimplência de março para abril”, acrescentou.
Segundo o BC, o Desenrola deve beneficiar um milhão de clientes bancários. O programa abrange dívidas atrasadas contratadas até 31 de janeiro. O endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda em abril, com comprometimento de renda em 29,3%, 1,3 ponto percentual acima do mesmo período de 2025. Em fevereiro, a inadimplência já havia atingido recorde histórico em janeiro, sinalizando uma tendência de pressão persistente no crédito livre. No crédito ao consumidor, o segmento de consignado privado já movimenta R$ 110 bilhões no país, mas o crédito rotativo e pessoal não consignado continuam pressionando o custo médio: a taxa do crédito livre para PF chegou a 63,0% ao ano em abril.








