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BC estreia duplicata escritural mirando R$ 11 tri

BC estreou nesta terça (30) o ecossistema de duplicatas escriturais, marco que mira mercado de R$ 11 trilhões em recebíveis. Adoção escalonada até 2028.

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O Banco Central estreou nesta terça (30) o ecossistema de duplicatas escriturais, marco que mira um mercado de R$ 11 trilhões de recebíveis. As sete casas autorizadas devem submeter agora seus roteiros para a fase de produção assistida, e a obrigatoriedade será escalonada até 2028, começando pelas grandes empresas. Sete registradoras estão autorizadas pelo BC.

Marcos regulatórios da duplicata escritural

Marco Data
Lei 13.775 sancionada 2018
Resolução BCB 339 2023
Convenção das registradoras Fim de 2024
Testes com registradoras 2025
Lançamento oficial do ecossistema 30 de junho de 2026
Adoção obrigatória escalonada 2027 a 2028

Marcos regulatórios da duplicata escritural. Fonte: BlockNews.

O que muda no mercado de recebíveis

A duplicata escritural substitui o título físico por um registro eletrônico padronizado e rastreável. O objetivo endereça um problema histórico: duplicidade de cessões, dificuldade de verificar titularidade e emissão de títulos sem lastro comercial. O evento oficial reuniu o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, autoridades da Fazenda e representantes do setor produtivo em Brasília.

O arcabouço combina três camadas: a Lei 13.775 de 2018 (que criou a figura), a Resolução BCB 339 de 2023 (que regulamentou) e a convenção assinada no fim de 2024 pelas sete registradoras autorizadas: CERC, Núclea, B3, TAG, CRDC, Grafeno e Quicksoft. A interoperabilidade é obrigatória por norma: um título registrado em qualquer uma delas vale para toda a rede.

R$ 11 trilhões e o gargalo das PMEs

O tamanho do mercado é a principal aposta do desenho. A CERC estima em R$ 11 trilhões o volume anual de recebíveis que passariam a circular com maior segurança jurídica no novo ambiente. O ganho é maior para empresas de pequeno e médio porte, que hoje enfrentam custo de crédito mais alto por falta de comprovação padronizada dos ativos.

Hamilton de Brito Junior, presidente do SINFAC-SP e da ABRAFESC, já havia sinalizado o impacto quando o tema apareceu no acervo do podcast Let’s Money em novembro de 2025. “A duplicata escritural é um novo marco que vai mudar substancialmente o nosso mercado”, afirmou Brito ao Let’s Money, ao mapear o setor de fomento comercial que hoje financia parte relevante do capital de giro das PMEs no Brasil.

A conta escrow, criada como resposta ao sacado que não pagava terceiros, foi o primeiro hack estrutural desse segmento. O ecossistema do BC pretende ser o segundo: eliminar a duplicata fria de saída, com autenticação eletrônica dos títulos e registro padronizado de eventos.

O que observar

Vale acompanhar o ritmo de adoção nos primeiros meses da produção assistida e se a redução prometida no custo do crédito alcança o tomador final ou fica retida entre intermediários financeiros. A categoria mais impactada é a de registradoras, factorings e fundos de investimento em direitos creditórios, cuja operação depende de qualidade e rastreabilidade dos títulos. Outro ponto é como o desenho interoperável entre as sete registradoras vai se comportar sob volume real, já que a convenção só foi testada em ambiente controlado até agora.

Fontes: TI InsideBlockNewsAtlas Público (BCB)Let’s Money Podcast: O novo mercado de fomento comercial

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